Comprador, vendedor, investidor ou observador? Qual é a sua relação com o mercado imobiliário? Bom, independentemente do seu posicionamento, o horizonte desse mercado tem referenciais positivos. As taxas de juros estão em queda. A inflação também. O PIB, ainda trôpego, balbucia uma recuperação.

É verdade que os indicadores não são espetaculares, mas a leve melhora encoraja os incorporadores a acreditarem que é chegada a hora de voltar a investir, criando musculatura para uma economia realmente aquecida daqui a dois ou três anos. O racional é óbvio. Crises são cíclicas. E quando se chega ao fundo do poço só há um caminho a seguir.

“A demanda está muito represada. Com a retomada da confiança a intenção de compra está aumentando”. A conclusão é de Eduardo Schaeffer, CEO do ZAP, maior portal brasileiro de classificados de imóveis e imobiliárias. A própria audiência do site serve de parâmetro para medir o comportamento do mercado, segundo Eduardo. “Nos últimos tempos nossa audiência aumentou em 46%. Já o período de permanência da oferta diminuiu”, diz.

A pesquisa trimestral que o Zap desenvolve em parceria com a Fipe também dá sinais que deixam confiantes compradores, vendedores e profissionais do ramo. A mais recente, referente ao segundo trimestre de 2017, revelou que nos últimos 12 meses o percentual médio de desconto das unidades negociadas caiu de 9,4% para 8%. Também apontou que a expectativa de aumento de preços dos imóveis caiu de 17% para 14%. Ou seja: cada vez mais as pessoas estão acreditando que os preços dos imóveis chegarem a um patamar razoável. Não vão cair mais. Aqui, vale novamente o racional óbvio do início desse texto. Quando se chega ao fundo do poço só há um caminho a seguir.

Mas para Eduardo, um dos sinais mais importantes de aquecimento do mercado é o movimento que os bancos começaram a fazer para disponibilizar crédito. “Um mercado ativo funciona à base de crédito e os bancos estão se movimentando para aumentar a oferta. Isso é bom para todos”, diz.

A pesquisa mostrou ainda que nos últimos 12 meses, 60% dos compradores optaram por imóveis usados. Já para os que planejam comprar um imóvel até outubro, as possibilidades estão abertas. Cerca de 13% pretendem comprar imóveis novos, enquanto 33% procuram um usado e, para a maioria – 54% – é indiferente. O que vale é a oportunidade.

O momento é agora

De um lado as incorporadoras se preparando para novos negócios. De outro os proprietários que pensam em vender seus imóveis, mais animados com a notícia de um mercado um pouco mais movimentado. Mas e para os compradores? Ainda é um bom momento para comprar um imóvel? Segundo Eduardo sim, mas tem que ser logo. “Seja para morar ou investir, o momento é bom. Os preços estão 25% menores do que os praticados há dois anos e, com a queda nas taxas de juros, algumas aplicações deixam de ser interessantes. Se a demanda aumentar como esperado, a tendência é que os valores sejam reajustados”, diz.

A intenção de compra também foi analisada na pesquisa FIpeZap, que entrevistou mais de 6 mil pessoas. Interessados em comprar para investir – que significa alugar ou revender – corresponderam a 40% dos entrevistados. Um aumento de 2% em relação a dezembro de 2016.

Em um país que já foi definido como um lugar em que até o passado é incerto, vale acompanhar de perto cada indicador para a tomada de decisão. Eduardo aconselha, além dos já citados, observar outros dois movimentos: a valorização dos imóveis comparada à taxa de inflação e os valores dos aluguéis. “Considero essas informações, somadas à disponibilização de crédito pelos bancos, bons indicadores para avaliar se o momento favorece a negociação de um imóvel, cabendo é claro, acrescentar a análise pelo ponto de vista do comprador ou vendedor”, diz.