Diferentes nomes, mesma ideia. Com o crescimento da importância dos imóveis residenciais, a tendência que veio para ficar é transformar espaço doméstico em um refúgio tão aconchegante quanto funcional.

 

Houve um tempo, não tão distante, em que a aparência da casa era mais importante do que o conforto que ela oferecia. Isso mudou radicalmente com a pandemia. Com as pessoas sendo obrigadas a ficar mais tempo em casa, tornou-se inevitável priorizar o bem-estar.

Ora, diante de um mundo cheio de incertezas, faz diferença viver em um espaço que ofereça um abrigo. Um porto seguro que transpareça não apenas proteção, mas vontade de ficar.

A tendência de “casa-refúgio” recebe diferentes nomes dos especialistas em decoração, sendo um dos principais o Cocooning. O termo foi criado nos anos 1980 nos Estados Unidos, para evidenciar a mudança de comportamento dos norte-americanos em um cenário também incerto, a guerra fria e suas ameaças veladas à vida externa.

Isso tem dois impactos: não só a busca por imóveis que em si sejam mais espaçosos e confortáveis, como uma decoração é um projeto arquitetônico mais intimista e funcional. Nesse contexto, materiais macios, móveis confortáveis, artes cheias de personalidade e cores agradáveis se tornam pré-requisitos dos projetos arquitetônicos.

O comportamento online apenas reforça esse movimento de resgate. Segundo o site Living Spaces, houve uma queda de 22% na busca pela decoração industrial, cujas principais marcas são justamente as linhas angulares e superfícies de materiais menos convidativos, como cimento e metal.

Em seu lugar, entram as curvas mais suaves, almofadas, objetos decorativos carregados de memória afetiva. Um toque de natureza, ambientes que se transformam e uma casa não apenas saudável e sustentável, mas que estimula a criatividade.

Aos proprietários interessados em vender propriedades, investir nessa tendência na hora de elaborar seu projeto de home staging pode tornar seu imóvel mais convidativo.  Confira abaixo um pequeno guia para isso.

 

Funcionalidade

Lugar para malhar, trabalhar, estudar, ler, se divertir… Agora a casa tem que ter tudo. E nem todos os imóveis possuem espaços para criar cômodos exclusivos para cada finalidade, de modo que é preciso aproveitar áreas que estavam subutilizadas. Outra maneira de ampliar a capacidade de uso dos espaços é com móveis multifuncionais, como sofás modulares, mesas extensíveis e camas com espaços escondidos de armazenamento.

Em nome da funcionalidade, até os móveis embutidos estão voltando. Ao invés do closet tradicional, para roupas, os armários viram nichos específicos para guardar momentos do dia: itens das atividades físicas, ou da escola das crianças, de acordo com as necessidades de cada morador.

Um bom exemplo é “Restyle”, criação do designer britânico James Howlett, um cluster de formas modulares multifuncionais. Cada peça de mobiliário é projetada individualmente para servir a muitos propósitos e ser útil em quase todos os cômodos da casa, mas quando necessário, o grupo se reúne para formar uma mesa de centro compacta.

“Restyle”, criação do designer britânico James Howlett

 

Sofás e poltronas

TVs grandes, sofás que abraçam e poltronas convidativas, com materiais macios, almofadas e mantas. Se antes, os sofás mais requisitados e caros eram austeros e angulosos, agora ele deve ser do tipo que acolhe já com o olhar. 

Vale lembrar que, enquanto não nos aventuramos a viver totalmente lá fora, no “novo normal” grande parte das reuniões com família e amigos tende a acontecer em casa. Por isso, os experts apostam ainda na troca de alguns móveis por sofás e poltronas extras, para que os convidados se sintam igualmente confortáveis. 

 

As cores que transmitem conforto não são só neutras

O conforto começa a ser construído na escolha da paleta de cores. A predominância, naturalmente, é de tons mais claros, próximos ao bege, amarelos pálidos, marfim e outros. Mas, como a casa também pede inspiração e entretenimento, a ideia é adicionar pontos estratégicos de cor, que despertem sensações e estimulem o pensamento criativo.

Escolher tons mais vivos para paredes de áreas de uso comuns, como halls de entrada, banheiro e corredores acrescenta personalidade à decoração. E esse sentimento de pertencimento também é importante na construção do ambiente perfeito.

Uma alternativa para despertar essa sensação nos cômodos é usar objetos coloridos, como tapetes, almofadas ou móveis.

 

Texturas acolhedoras

 

Tapetes felpudos, almofadas, cobertores, mantas, toalhas e roupões são itens que remetem imediatamente ao conforto e segurança. E agora fazem parte da decoração, seja na forma de uma cama cheia de cobertores e travesseiros, seja no sofá.

Eles podem ainda compor o home staging do imóvel que será exibido para venda, especialmente em ambientes como sala de estar e quarto principal.

 

Madeira, madeira, madeira

O material é sinônimo de aconchego, dando o toque rústico capaz de despertar memórias afetivas. Dentro da tendência de casa-refúgio, é o destaque principal de móveis, portas e bastidores, mas em tons mais claros, que não pesam no ambiente.

Assim como os tons claros que predominam nas paredes, os objetos de madeira são bases para os itens que agregam personalidade à decoração, trazendo a individualidade dos moradores para a casa. Entra aqui o chamado décor afetivo, que resgata boas lembranças e traz vida aos ambientes.

A arquiteta Consuelo Jorge, inclusive, que assina a nova linha de pisos de madeira da Akafloor, acrescenta que os lançamentos atendem uma demanda crescente pela presença de materiais naturais na arquitetura. “Cada vez mais aquilo que remete e integra a natureza nos ambientes será utilizado como uma forma de criar um verdadeiro refúgio e trazer para dentro de casa tudo aquilo que pode ser visto e sentido lá fora”, destaca Consuelo Jorge, que é especialista em projetos sustentáveis, elaborados somente com madeira 100% sustentável, certificadas. 

Em matéria de pisos, a madeira é praticamente unanimidade na casa do futuro. Entre as mais utilizadas no Brasil estão a Tauari, Cumaru, Ipê, Muiracatiara, Jatobá e Sucupira.

Foto: Akafloor, pisoTauari

 

Mais natureza

A conexão com a natureza é uma das coisas que mais faz falta durante os períodos de isolamento social. Há um elo direto entre o contato com o meio ambiente e a nossa saúde mental. Ou seja, o uso de plantas na decoração indoor seguirá popular como esteve nos últimos anos.

Nem todos terão paciência para ter enormes urban jungles, mas espécies como zamioculcas, ficus, jiboias vão bem em cômodos internos e exigem pouca manutenção. Mais designers estão ainda no chamado design biofílico, que cria ambientes naturais que melhoram nossa saúde e promovem bem-estar. 

 

Iluminação

Na pandemia, cresceu o apelo de luminárias que mudam o clima do ambiente ao diminuir a intensidade da luz, assim como projetos arquitetônicos que priorizam o conforto visual desde o início. Sistemas de luz bem planejados também são capazes de promover o bem-estar.

Outro ponto é a valorização da luz natural que chega no ambiente, por meio das cortinas abertas, janelas maiores, clarabóias e mansardas. O melhor aproveitamento da luz natural ainda torna a casa mais sustentável, uma responsabilidade de todos em um futuro povoado pelas mudanças climáticas.

Foto: André Scarpa

 

Tornar a casa um lugar mais habitável é parte de um movimento maior, para melhorar o jeito de se viver no geral. As mudanças trazidas pela pandemia pedem, mais do que nunca, um resgate da felicidade em desfrutar pequenos momentos e diminuir o ritmo.

O livro The Monocle Book of Gentle Living fala mais sobre isso. E do papel da casa em fornecer espaço para aproveitar melhor a vida.

 

 

 

 

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