Inquilinos e compradores buscam propriedades mais amplas, com espaço para home office e áreas externas maiores. Mesmo que isso signifique morar fora das grandes cidades ou longe do centro

 

Até 2020, o mercado imobiliário das metrópoles era majoritariamente focado em atender um cliente que trabalha e vive sua vida social do lado de fora e, portanto, precisa estar conectado com a cidade e ter fácil acesso a serviços. Então veio a pandemia de Covid-19 e tudo mudou.

Agora, cresce a busca por imóveis maiores, com áreas dedicadas ao trabalho remoto, lazer e espaços externos. Os números refletem essa tendência, que não parece ser passageira, já que o momento trouxe reflexões sobre o modo de vida que dificilmente serão esquecidas, como a importância de ter conforto em casa.

Em pesquisa encomendada pelo Quinto Andar à Offerwise, 73% dos entrevistados afirmaram ter mudado sua relação com a casa no período.

Ter um escritório (31,8%), uma área verde no entorno (28,4%) e ambiente de lazer dentro de casa (25%) foram as necessidades mais sentidas pelos participantes. Tanto que 16,5% resolveram buscar um novo imóvel mesmo em meio à pandemia. Para 14% dos que se mudaram, a principal motivação foi a busca por mais espaço.

O resultado dessa busca é um mercado aquecido, como mostra outra pesquisa, realizada pela FipeZap em abril deste ano.

O levantamento mostra que está mais difícil negociar descontos na hora de comprar — a redução obtida nas negociações estudadas foi, em média, de 9%, menor índice desde 2014) — e que a busca por imóveis para morar, ao invés de investir, aumentou. 

Os especialistas relatam um aumento orgânico do interesse por imóveis com maior metragem. A procura por casas aumentou bastante tanto na capital como nos condomínios em cidades próximas, no campo e no litoral. As pessoas estão em busca de espaço e qualidade de vida. O isolamento social trouxe outro olhar e ressignificação para o sentido de moradia. Esta nova relação com o espaço talvez não seja temporária. 

“Tivemos uma grande procura por casas. Tanto nas grandes cidades, como nos condomínios em cidades dos arredores, no campo e no litoral. As pessoas, principalmente as famílias, estão querendo mais espaço e qualidade de vida. A pandemia fez com que elas prestassem mais atenção ao lar, trouxe uma ressignificação para moradia e uma nova relação com este espaço, que talvez não seja temporária”, explica Renata Victorino, sócia diretora, responsável pelos imóveis usados da Bossa Nova Sotheby’s.

 

Enrico Trotta, analista do Itaú BBA, também compartilha essa visão do papel da pandemia na tendência do mercado por imóveis com maior metragem e prevê que nos próximos anos aumentarão os lançamentos acima de 130 m². “Com a pandemia, o conceito de metragem foi repensado pelo consumidor, o que incentiva as incorporadoras a mudarem.” afirma, em declaração à revista Veja



A desejada área externa

As varandas maiores já eram uma tendência na construção civil, não apenas pelo interesse do cliente, mas porque sua metragem não faz parte da área útil do imóvel (elas são denominadas áreas privativas). Isso reduz custos tributários, como o IPTU. Com a necessidade de ampliar a funcionalidade da casa, elas se tornaram ainda mais desejadas.

Uma pesquisa realizada pelo Sindicato da Habitação (Secovi) com mais de 2 mil pessoas aponta esse ambiente como um dos fatores imprescindíveis para escolher comprar ou não um imóvel. Quase metade (49%) dos entrevistados disse ser imprescindível a presença da varanda. 

E isso vale para as casas também: jardins, piscinas e espaços de lazer externos ampliam as possibilidades do uso da casa, permitindo aos moradores banhos de sol e resgatando a saudável (e necessária) sensação de estar ao ar livre. Os imóveis que oferecem áreas do tipo estão mais valorizados.

 

Adaptação de imóveis já em construção

Ninguém imaginava que uma pandemia fosse transformar a rotina de todos. Então muitos empreendimentos seguem em vias de lançamento, ou já são comercializados, de acordo com as necessidades do “antigo normal”. Segundo o Secovi, no ano passado 77% dos imóveis lançados em São Paulo tinham até 45 m² de área útil.

Para eles, restou se adaptar, oferecendo áreas compartilhadas multi-uso, que possam funcionar como uma extensão das unidades individuais. Nessa linha, salões de festa estão virando home office e as administradoras criam áreas dedicadas ao delivery, como mostra essa reportagem da Folha de S. Paulo.

 

Mais espaço no interior, no litoral e fora do país

Se em São Paulo o espaço é disputado, por que não buscá-lo em outro lugar, que de quebra traga outros benefícios? É o que muitos interessados em mudar têm feito. Um levantamento da Imovelweb mostra um aumento de 310% na busca por propriedades rurais entre 2019 e 2020.

Até mercados que enfrentavam certa instabilidade, como as casas e apartamentos na praia, voltaram à cena. Outra pesquisa, essa do aplicativo Newcore, mostra que, em cada 100 imóveis vendidos em dezembro no estado de São Paulo, 28 eram no litoral e 19 na capital. Em janeiro de 2020, eram 14 no litoral e 43 na capital. 

O mercado internacional também percebe a tendência. Brasileiros de olho em imóveis portugueses já buscam, logo de cara, apartamentos mais amplos. Ficar em casa, sim, mas com espaço e, se possível, uma bela vista. Clique aqui e saiba mais nesta matéria publicada pelo jornal O Globo.

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