Você já imaginou morar em um espaço equivalente ao de uma van? Muitas pessoas já e fazem até fila de espera para que isso se torne realidade. A redução da área útil dos apartamentos tem sido uma tendência nas grandes cidades. Mas a construtora Vitacon levou a proposta ao extremo e lançou em São Paulo um prédio com estúdios de 10 metros quadrados equipados com cozinha e banheiro.

Considerado o menor compacto da América Latina, o empreendimento será construído no bairro de Higienópolis e o preço de lançamento é a partir de R$ 99 mil. Serão 111 unidades com metragens entre 10 e 77 metros quadrados e um térreo aberto com lojas para os moradores e a população em geral.

O público-alvo são solteiros, divorciados, estudantes, viúvos e investidores no mercado imobiliário. Segundo o CEO da Vitacon, Alexandre Lafer Frankel, há fila de espera de interessados e um segundo empreendimento do mesmo tipo deve ser lançado em breve pela construtora na região da Avenida Paulista.

“É muito melhor viver em um compacto perto de tudo e com uma boa infraestrutura urbana do que em um apartamento maior, mas longe do trabalho, do lazer e do estudo”, diz Frankel

lembrando que os micro apartamentos são localizados em regiões nobres da cidade. Além disso, são equipados com lavanderia coletiva, coworking, bike sharing, unidades compartilhadas para visitas e outros benefícios.
A arquitetura foi estudada em barcos e cabines de aviões, para obter o máximo de aproveitamento do espaço sem perder o conforto. Os móveis podem ser modulados ou tradicionais, segundo Frankel, que não descarta planejar moradias ainda menores. “Nosso objetivo é tornar tudo mais simples para as pessoas. Queremos oferecer opções de moradia para cada fase da vida, trazer facilidades no jeito de morar, aproximar as pessoas dos centros, das redes de transporte e proporcionar maior qualidade de vida”, diz Frankel.

Para o especialista em imóveis de alto padrão e professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Marcelino David, os micro apartamentos são uma tendência nas grandes cidades, que sofrem com a falta de terrenos em regiões mais caras e dificuldades cada vez maiores de mobilidade urbana.

“É um conceito interessante para a vida moderna e já é comum em cidades como Paris e Hong Kong”, diz David. É também uma opção para quem não usa muito o imóvel. Nessa lista estão os investidores e as pessoas que moram em outros locais, mas passam temporadas na Capital, a trabalho ou lazer, e não querem ficar em um hotel. “Quando não estiver sendo usado pode ser disponibilizado em plataformas como o Airbnb (locação temporária) otimizando o investimento”, afirma o especialista.