A Bossa Nova Sotheby’s está inaugurando um escritório no Rio de Janeiro. O novo endereço fica em Ipanema, em um charmoso prédio de arquitetura moderna e recém-construído, a um quarteirão da praia. O serviço na capital fluminense, entretanto, não é novidade. Desde 2015 a imobiliária mantém representantes para atender na cidade e no litoral, como em Angra dos Reis.

“A gente vem fazendo negócios de venda e locação lá há mais de dois anos. Sentíamos a necessidade de ter um local fixo para os nossos representantes”, explica Marcello Romero, CEO da Bossa Nova Sotheby’s. “A princípio, será uma operação comedida e inteligente, de acordo com a demanda que já identificamos”, diz. O motivo da cautela é a situação atual enfrentada pela cidade, que passa por uma crise mais profunda do que a vivenciada pelo Brasil como um todo.

Foi justamente a crise político-econômica que retardou a inauguração na cidade maravilhosa. “Seguramos essa nova operação por questões macroeconômicas e por causa da recessão imobiliária”, explica. Mas, enfim, a economia brasileira começa a dar tímidos sinais de retomada, como a previsão de inflação abaixo do centro da meta e de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB).

Tudo isso tem refletido para que o brasileiro retome a confiança para consumir. Segundo Romero, esses pequenos sinais, somados à vontade de consolidar a operação no Rio, foram bons indicativos de que essa é a hora certa. “Acreditamos que há mercado. A crise faz a pessoa pensar melhor sobre fazer o negócio. Mas no segmento em que atuamos, as pessoas não vendem ou alugam porque precisam, ou adquirem um novo imóvel porque necessitam, elas fazem isso porque desejam. Ao mesmo tempo, precisamos ser cautelosos”.

Outra boa notícia, segundo Romero, é que os estoques estão se esgotando. Por causa da crise, as grandes construtoras não se movimentaram para fazer lançamentos, mas em esvaziar estoques. A partir de 2018, corre-se o risco de não ter produto à disposição.

Preparada para desafios

A decisão de abrir um escritório no Rio de Janeiro foi tomada em 2014. Desde então, a Bossa Nova Sotheby’s vem estudando o mercado carioca e se preparando para obter uma estrutura capaz de garantir aquilo que é o seu diferencial: prestar um atendimento totalmente personalizado.

“O foco do nosso trabalho é o que nos diferencia. Algumas empresas têm departamentos para atender o segmento de alto padrão e, ao mesmo tempo, atuam em diversos mercados, com tíquetes abaixo de R$ 2 milhões. Este, no entanto, é o nosso mínimo aqui em São Paulo. Nascemos no alto padrão e continuaremos focados neste setor. Assim também ocorrerá no Rio de Janeiro”, ressalta Romero.

Outra vantagem é o valor dos tíquetes absolutos, que são maiores. “Nas áreas em que nos dispomos a trabalhar, enquanto em São Paulo o preço do metro quadrado gira em torno de R$ 14 mil ou R$ 15 mil, lá ele vai de R$ 20 mil a R$ 25 mil. Com isso, será preciso um número menor de vendas para atingir o resultado esperado. Estamos sendo bastante contidos em nossas expectativas para os próximos dois anos, já prevendo a longevidade da operação”.

A consolidação da marca será outro desafio. Este trabalho, que colhe bons frutos em São Paulo há alguns anos, agora será iniciado no Rio com uma estrutura pequena, mas funcional. “Teremos uma equipe de quatro a cinco profissionais altamente capacitados, já com demanda para cada um deles”, explica.

A operação focará especialmente a Zona Sul, em bairros como Lagoa, Leblon, Ipanema, Copacabana e Barra da Tijuca. Há ainda o mercado de Angra dos Reis, onde a imobiliária já atua e tem negócios.

Além de São Paulo e Rio de Janeiro, a Bossa Nova também está presente em regiões consagradas do litoral brasileiro, como Trancoso, na Bahia, onde mantém parceria com a Casa Trancoso, imobiliária especializada na região.

Segundo o executivo, há planos de expansão. “O foco agora é a ampliação da atuação em São Paulo. Estamos abrindo uma equipe de vendas para atender a região formada por Vila Mariana e Paraíso. Após a consolidação no Rio de Janeiro, pensaremos em um formato de expansão para outras regiões brasileiras, o que será outro grande desafio.”