Há até poucos anos, o setor da construção civil era considerado um grande vilão da sustentabilidade ambiental. Mas este cenário está mudando. Com a adoção de novas práticas, aplicadas desde o canteiro de obras até o fornecimento de energia e água aos condomínios, o Brasil ocupa hoje o quarto lugar no ranking de empreendimentos sustentáveis, formado por 165 países. Ficamos atrás apenas dos Estados Unidos, China e Emirados Árabes, superando países como a Alemanha.

Os dados são da GBC Brasil (Green Building Council), entidade que emite um dos principais selos internacionais de sustentabilidade na construção, o LEED (Leadership in Energy and Environmental Design). Nos últimos dez anos o Brasil partiu de zero para quase 400 construções reconhecidas por uma das certificações ambientais para construções mais rigorosas do planeta.

“Além dos benefícios ambientais, a implantação de técnicas sustentáveis em imóveis e condomínios diminui custos, como os de energia e água, e melhora a qualidade de vida dos moradores”, diz a arquiteta Norma Gomes, professora de faculdade de arquitetura e urbanismo da Universidade Anhembi-Morumbi.

Segundo Norma, a certificação verde pode ser uma grande ferramenta para consolidar o conceito de sustentabilidade da construção civil. Muitas empresas buscam o “selo verde” visando melhorar seus processos e produtos disponíveis no mercado.

Em Curitiba, o Residencial Ícaro, que está em construção, utiliza soluções de eficiência energética que permitirão uma economia de cerca de 20% no consumo total de energia elétrica, em comparação a um edifício padrão. Para isso, o projeto valoriza a iluminação natural e o uso de equipamentos eficientes. Outro fator é a instalação de painéis de captação de energia solar em cada torre do residencial. “Além do bem-estar e satisfação dos moradores, o Ícaro minimizará impactos ambientais a curto e longo prazos”, explica o CEO da incorporadora AG7, responsável pelo empreendimento, Alfredo Gulin Neto.

O conceito de sustentabilidade também chegou ao mercado corporativo. A nova sede da RAC Engenharia, também em Curitiba, promete produzir toda a energia elétrica que consumir, através da captação de energia por painéis fotovoltaicos, e contará com estações próprias para o tratamento de esgoto e da água da chuva para torná-la potável. Apenas o reservatório principal de captação de água pluvial tem capacidade para cinco mil litros.

O empreendimento, que já está em funcionamento, também recebeu o certificado LEED, da GBC. No total, são 1.120 metros quadrados de área construída, dividida em três pavimentos.

Segundo Ricardo Cansian, diretor da RAC Engenharia, o sistema implementado permitirá economizar no consumo geral de água e de energia elétrica do edifício. “Apenas a economia de energia, comparada a um edifício padrão do mercado, será de aproximadamente R$ 20 mil por ano. A de água, R$ 14 mil”, afirma.

A estimativa é que o investimento realizado nos equipamentos de sustentabilidade seja recuperado entre oito e dez anos. Mas, segundo Cansian, este não é o ponto que justifica o investimento em uma construção sustentável. “Trata-se mais de uma mudança de visão sobre a forma de conduzir os negócios e projetos na construção civil do que meramente uma questão de custo”, justifica o executivo.

 

Sustentabilidade em casa

Pequenos cuidados também podem tornar a nossa casa um ambiente sustentável. A tecnologia é uma boa aliada nessa empreitada. Confira as dicas a seguir:

 

  • Etectree – Um pequeno carregador em forma de bonsai desenvolvido pelo designer francês Vivien Muller. Sua bateria é movida por 27 mini painéis que captam energia solar e pode ser carregada em 36 horas. Completa, alimenta até cinco aparelhos celulares.

 

  • Composteira doméstica automática – Transforma o lixo orgânico em adubo, que pode ser utilizado em plantas e jardins. Movido a energia elétrica, tem capacidade diária de compostagem de até cinco quilos de lixo orgânico.

 

  • Sensores de iluminação LED – Além de ter lâmpadas mais econômicas, é necessário racionalizar o seu uso. Monitores de presença (sensores) à disposição no mercado controlam a iluminação de forma mais eficiente, combatendo o desperdício.

 

  • Chuveiro econômico – Pode economizar até 70% de água e energia por meio de um processo de vaporização da ducha (semelhante aos vaporizadores de verão). Ainda está em fase de lançamento nos Estados Unidos.

 

  • Irrigação inteligente – Sensores de umidade no solo indicam a necessidade ou não de irrigação do jardim.

 

  • Toldos e brises (quebra-sol) – Nas janelas, ajudam a melhorar o conforto térmico, aumentam o controle do uso de iluminação natural e reduzem o consumo de ar-condicionado e ventiladores no verão.

 

  • Selo Procel – Na hora de comprar equipamentos eletrônicos observe o selo de eficiência energética que orienta o consumidor sobre os gastos de energia dos produtos.