Estudo da Sotheby’s International Realty mostra como Copa do Mundo e Jogos Olímpicos podem impulsionar infraestrutura, atrair investimentos e influenciar o mercado imobiliário de luxo muito além das competições.
O Olympic Effect descreve como grandes eventos esportivos podem acelerar investimentos em infraestrutura, ampliar a visibilidade internacional de uma cidade e influenciar o mercado imobiliário. O conceito, apresentado no Luxury Outlook 2026 da Sotheby’s International Realty, ganha relevância com a realização da Copa do Mundo de 2026, disputada em 16 cidades do Canadá, Estados Unidos e México.
O termo Olympic Effect foi criado pelos economistas Andrew K. Rose e Mark M. Spiegel, do National Bureau of Economic Research (NBER), para explicar como grandes eventos esportivos podem influenciar o desenvolvimento econômico e urbano de cidades-sede.
Apresentado no Luxury Outlook 2026, da Sotheby’s International Realty, o conceito descreve como grandes eventos esportivos podem acelerar projetos de infraestrutura, ampliar a visibilidade internacional de determinadas cidades e influenciar o desenvolvimento do mercado imobiliário. O relatório também faz uma ressalva importante. Esses resultados não acontecem automaticamente. O legado depende da capacidade de transformar investimentos pontuais em benefícios permanentes para a cidade.
LEIA MAIS: 2026 Mid-Year Luxury Outlook
O que é o Olympic Effect?
O termo foi apresentado em 2009 pelos economistas Andrew K. Rose e Mark M. Spiegel, do National Bureau of Economic Research. O estudo observou que cidades escolhidas para sediar grandes competições costumam registrar um aumento na atividade econômica associado à melhoria da infraestrutura, da mobilidade e da projeção internacional. Segundo o Luxury Outlook 2026, esses fatores também podem criar um ambiente favorável ao mercado imobiliário, especialmente no segmento de alto padrão.
Na prática, o evento esportivo funciona como um acelerador de projetos urbanos. Obras previstas para décadas são antecipadas, bairros passam por revitalizações, novos equipamentos públicos são construídos e determinados endereços ganham uma exposição internacional que dificilmente seria alcançada em circunstâncias normais.
Londres e Paris mostram que o legado pode permanecer
O relatório apresenta Londres e Paris como dois exemplos de cidades que conseguiram transformar grandes eventos esportivos em oportunidades de desenvolvimento urbano.
Em Londres, os investimentos realizados para os Jogos Olímpicos de 2012 impulsionaram a renovação de bairros inteiros. Newham, onde foram construídos o estádio olímpico e a Vila dos Atletas, registrou o maior crescimento nos preços dos imóveis no Reino Unido entre 1999 e 2019, superando em mais de duas vezes a média nacional no período.
Paris seguiu uma estratégia semelhante durante a preparação para os Jogos Olímpicos de 2024. Os municípios que receberam a Vila Olímpica registraram valorização média de 22% nos preços dos imóveis, enquanto a Paris Ouest Sotheby’s International Realty observou um aumento superior a 70% no tráfego internacional para imóveis localizados na capital francesa, impulsionado pelo interesse de compradores estrangeiros.
Nem toda cidade mantém o mesmo resultado
O relatório também mostra que o Olympic Effect não representa uma regra. Barcelona experimentou uma forte valorização imobiliária antes dos Jogos Olímpicos de 1992, seguida por um período de acomodação dos preços. O Rio de Janeiro registrou crescimento expressivo antes da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016, mas enfrentou desaceleração nos anos seguintes, enquanto parte da antiga Vila dos Atletas permaneceu com baixa ocupação. O Catar aparece como outro exemplo citado pelo relatório, destacando os riscos associados ao excesso de oferta imobiliária quando o planejamento de longo prazo não acompanha o ritmo dos investimentos realizados para receber um grande evento.
O que permanece depois do apito final
O maior legado de um megaevento esportivo não está necessariamente nas arenas, mas na capacidade de transformar infraestrutura, mobilidade e planejamento urbano em benefícios permanentes para a cidade.
Para o mercado imobiliário de luxo, esse costuma ser o principal indicador. Imóveis inseridos em regiões que recebem melhorias estruturais, novos sistemas de transporte e investimentos contínuos tendem a preservar melhor seu valor ao longo do tempo do que aqueles impulsionados apenas pela expectativa gerada durante a realização do evento. Quando esse processo acontece de forma consistente, o esporte deixa um legado que ultrapassa as competições e passa a influenciar a forma como determinadas cidades são percebidas por moradores, investidores e compradores internacionais.
Você sabia?
Segundo o Luxury Outlook 2026, cidades que transformam investimentos temporários em melhorias permanentes tendem a preservar melhor a valorização imobiliária após grandes eventos esportivos.
Na Bossa Nova Sotheby’s International Realty, acompanhamos os principais movimentos que influenciam o mercado imobiliário de luxo no Brasil e no mundo. Continue explorando nossa editoria Mercado para entender como tendências globais ajudam a antecipar oportunidades e transformações no setor.

