Expansão urbana, crescimento econômico e um mercado imobiliário em desenvolvimento colocam cidades como Assunção, Luque e Encarnación no radar de investidores brasileiros.
O mercado imobiliário do Paraguai vem atraindo um número crescente de investidores brasileiros interessados em diversificação patrimonial, geração de renda e exposição a um mercado ainda em fase de expansão.
Nos últimos anos, o país apresentou crescimento econômico consistente, inflação controlada e um ambiente tributário mais competitivo em comparação com parte dos mercados vizinhos. A projeção de crescimento do PIB paraguaio para 2026 é de 4,2%, acima da média regional.
A estrutura tributária também aparece entre os fatores que impulsionam esse interesse. O Paraguai mantém imposto corporativo de 10% e IVA também de 10%, dentro de um modelo considerado mais simples do que o praticado em parte dos mercados vizinhos.
Para Ernesto Figueredo, presidente da Paraguay Sotheby’s International Realty e CEO da Raices Real Estate, a combinação entre ambiente de negócios, estabilidade econômica e competitividade fiscal ajuda a explicar o crescimento do interesse internacional pelo país.
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“O Paraguai tem o melhor ambiente de negócios da América Latina combinado com o sistema de impostos mais simples e mais baixo da região, com uma economia muito aberta para fazer negócios globalmente. É o país mais atraente de toda a região neste momento”, afirma.
Mercado imobiliário cresce em ritmo acelerado
O setor imobiliário aparece entre os segmentos que mais avançaram no país recentemente. Dados apresentados por empresas locais indicam crescimento de 38,4% em 2024, acompanhado pelo aumento da demanda em regiões como Assunção, Luque, Encarnación, Hernandarias e Ciudad del Este.
Parte desse interesse está relacionada ao atual estágio de desenvolvimento urbano do Paraguai. Em bairros premium de Assunção, o valor médio do metro quadrado ainda permanece abaixo de mercados considerados equivalentes em cidades da América Latina, o que mantém espaço para valorização imobiliária nos próximos anos.
Empresas do setor também ampliaram projetos residenciais e bairros planejados voltados para um público de maior renda, com condomínios fechados, áreas de lazer, lagos artificiais e estruturas integradas ao paisagismo urbano.
O movimento acompanha uma mudança no perfil dos compradores brasileiros interessados no país. Além de investidores ligados ao setor produtivo, cresce a presença de empresários que buscam diversificação patrimonial, imóveis para renda e ativos dolarizados em mercados ainda em expansão.
Ambiente regulatório e estrutura formal atraem investidores
O crescimento desse fluxo também acontece dentro de uma estrutura regulatória formalizada. Estrangeiros podem comprar imóveis no Paraguai sem necessidade de cidadania ou residência permanente, desde que a operação siga os processos jurídicos e registrais previstos na legislação local.
O país também criou mecanismos voltados à atração de investidores internacionais. Um dos exemplos é o Investor Pass, modelo que permite solicitação de residência permanente mediante investimentos enquadrados em critérios definidos oficialmente pelo governo paraguaio.
Segundo informações do Investor Pass, brasileiros representam aproximadamente 60% das solicitações recentes.
O Paraguai também concentra interesse crescente de empresas ligadas aos setores industrial e logístico, especialmente por conta da localização estratégica no centro da América do Sul, da proximidade com o mercado brasileiro e dos incentivos voltados à produção e exportação.
Um mercado que ainda opera abaixo de outros polos regionais
Parte da atratividade do Paraguai está no estágio atual do mercado. Diferente de grandes capitais latino-americanas que já atingiram níveis elevados de precificação imobiliária, cidades paraguaias ainda operam em um momento inicial de expansão urbana e desenvolvimento de novos bairros residenciais.
Isso ajuda a explicar o interesse crescente de grupos brasileiros por terrenos, condomínios fechados, ativos residenciais e projetos ligados ao turismo e à logística.
O movimento já aparece em diferentes regiões do país e acompanha a entrada de novos empreendimentos, infraestrutura urbana e capital internacional em um mercado que ainda trabalha com custos competitivos dentro da América do Sul.
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