Perkins&Will: a filosofia do Living Design na arquitetura contemporânea
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Perkins&Will: a filosofia do Living Design na arquitetura contemporânea

Em entrevista exclusiva à Bossa Nova Sotheby’s, Fernando Vidal, Douglas Tolaine e Lara Kaiser revelam como o Living Design transformou a forma como o escritório projeta edifícios, cidades e comunidades

Todo projeto começa com uma pergunta. Na Perkins&Will, ela raramente fala sobre arquitetura, porque antes de pensar em concreto, vidro, estrutura ou materiais, o escritório procura responder a outra questão. Quem serão as pessoas que irão ocupar aquele espaço daqui a 20, 30 ou 50 anos?  É uma mudança de perspectiva que ajuda a explicar a trajetória de um dos escritórios de arquitetura mais respeitados do mundo. Ao longo de nove décadas, a Perkins&Will reuniu projetos residenciais, hospitais, hotéis, museus, escolas, sedes corporativas e planos urbanos em diferentes países sem abrir mão de uma mesma filosofia. O edifício não é o ponto de partida, ele é a consequência.

Fundada em 1935, a Perkins&Will é uma das maiores empresas globais de arquitetura e design, com atuação em projetos de diferentes escalas e setores ao redor do mundo.

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Em entrevista exclusiva à Bossa Nova Sotheby’s, Fernando Vidal, Douglas Tolaine e Lara Kaiser compartilham a forma como enxergam a arquitetura contemporânea, a responsabilidade de projetar espaços preparados para as próximas décadas e o papel do design na transformação das cidades. 

O que é o Living Design?

O Living Design é a metodologia desenvolvida pela Perkins&Will que orienta seus projetos a partir do impacto que a arquitetura pode gerar nas pessoas, nas comunidades e no meio ambiente. Em vez de priorizar apenas aspectos estéticos ou técnicos, a abordagem busca criar espaços preparados para responder às necessidades atuais e futuras da sociedade.

Quando vocês começam um projeto, qual é a primeira pergunta que fazem antes mesmo de desenhar uma planta? 

Todo projeto começa com um processo de entendimento. Antes de falar sobre forma, linguagem ou programa, buscamos compreender as ambições do cliente, as características do lugar e as transformações que aquele empreendimento pretende promover.

Frequentemente, os clientes chegam até nós com uma solução em mente. Nossa responsabilidade, porém, é compreender a necessidade que existe por trás dessa solução. É nesse processo que entra o Living Design. Ele é uma forma de pensar arquitetura.

Antes de qualquer croqui, a pergunta central raramente é sobre arquitetura. Ela é sobre pessoas. Queremos entender quem será impactado por aquele projeto hoje e quem continuará sendo impactado por ele nas próximas décadas. O desenho surge depois, como consequência dessa escuta e dessa visão mais ampla de futuro.

A Perkins&Will atua em projetos de escalas muito diferentes, de hospitais e museus a empreendimentos residenciais e planos urbanos. Como manter uma identidade em trabalhos tão distintos?

Seria difícil escolher apenas um projeto que represente a forma como pensamos arquitetura. Todos os trabalhos que desenvolvemos partem dos princípios do Living Design, metodologia da Perkins&Will que orienta nossas decisões a partir de uma premissa simples: a arquitetura deve gerar impactos positivos duradouros para as pessoas, para as comunidades e para o meio ambiente. Buscamos criar soluções que contribuam para uma forma melhor de viver, aprender, trabalhar e conviver nas cidades.

O que conecta projetos de diferentes escalas é essa crença de que a arquitetura não deve ser avaliada apenas pela forma que assume, mas pela transformação que é capaz de promover. Quando um projeto fortalece uma comunidade, melhora a experiência urbana, reduz impactos ambientais ou cria oportunidades de encontro e aprendizado, entendemos que estamos cumprindo o nosso papel.

Essa filosofia pode ser observada em diferentes empreendimentos assinados pela Perkins&Will disponíveis no portfólio da Bossa Nova Sotheby’s International Realty. Projetos como a Casa Contemporânea no Jardim Europa traduzem os princípios do Living Design ao integrar arquitetura, bem-estar e relação com a cidade.

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O Living Design orienta praticamente todos os projetos da Perkins&Will. Como essa filosofia influencia as decisões que vocês tomam desde o início de um projeto?

O Living Design funciona como o principal guia do nosso trabalho. Em vez de avaliar um projeto apenas por seus atributos estéticos ou técnicos, o Living Design nos convida a analisar seu impacto de maneira ampla e integrada.

Ao longo de todo o processo fazemos perguntas que vão além do programa de necessidades. Como esse projeto pode contribuir para a saúde física e mental das pessoas? De que forma fortalece a comunidade ao seu redor? Como pode ser mais resiliente diante das mudanças climáticas? Como garantir inclusão, pertencimento e acessibilidade? Como continuará relevante daqui a 20, 30 ou 50 anos?

Esses questionamentos acompanham todas as etapas do desenvolvimento. Eles influenciam desde a implantação e a orientação solar até a escolha dos materiais, a relação com o espaço público, a flexibilidade dos ambientes e a experiência cotidiana dos usuários. Não são critérios avaliados no final. São diretrizes que ajudam a construir o projeto desde o primeiro dia.

Em vários momentos vocês dizem que um projeto não termina nos limites do terreno. Como a arquitetura pode transformar a cidade ao redor?

Quando começamos a estudar um projeto, uma parte importante do trabalho não está relacionada ao edifício em si, mas ao entendimento do lugar. Analisamos condições climáticas, incidência solar, ventilação predominante, topografia, drenagem, infraestrutura urbana, padrões de mobilidade, características socioeconômicas do entorno e a dinâmica cotidiana daquele bairro. Também observamos como as pessoas ocupam os espaços públicos, quais são os fluxos existentes e quais oportunidades ou fragilidades aquela região apresenta.

Ao longo do tempo, percebemos que os projetos mais bem-sucedidos eram aqueles que estabeleciam uma relação positiva com seu contexto. Um edifício pode contribuir para melhorar a qualidade da caminhada, ampliar áreas de convivência, estimular novos usos urbanos, aumentar a permeabilidade do solo, incorporar vegetação, reduzir ilhas de calor ou qualificar a experiência dos espaços públicos ao seu redor.

Quando reconhecemos essa condição de interdependência, o projeto deixa de ser apenas um objeto construído e passa a ser uma ferramenta capaz de gerar transformações que ultrapassam seus limites físicos, influenciando ruas, bairros e, em alguns casos, regiões inteiras da cidade.

Se vocês tivessem que deixar uma pergunta para os arquitetos que vão projetar as próximas décadas, qual seria?

Acreditamos que a grande pergunta da próxima década não será como construir edifícios mais eficientes, mas como fazer com que a arquitetura contribua ativamente para restaurar os sistemas ambientais dos quais dependemos. As mudanças climáticas deixaram de ser uma projeção de longo prazo para se tornarem uma realidade cotidiana. Assim, acreditamos que a arquitetura precisa ampliar suas ambições.

O objetivo não pode ser apenas reduzir danos ou atingir o equilíbrio operacional. Precisamos desenvolver soluções capazes de regenerar ecossistemas, capturar carbono, restaurar ciclos hídricos, fortalecer a biodiversidade e produzir benefícios líquidos positivos para as cidades e para o planeta.

O mercado brasileiro de imóveis de alto padrão tem alguma característica que vocês não encontram em outros países? 

O mercado imobiliário brasileiro tem uma característica que o torna particularmente interessante para quem trabalha com arquitetura, sua enorme diversidade. Quando observamos o Brasil a partir de uma perspectiva global, percebemos que não existe um único mercado nacional, mas uma série de realidades regionais, econômicas, culturais e urbanas convivendo simultaneamente. Isso exige uma capacidade constante de adaptação e leitura de contexto.

São Paulo, por exemplo, continua sendo um dos mercados mais sofisticados e dinâmicos do país. Hoje, observamos uma demanda cada vez maior por empreendimentos que ofereçam conexão com a cidade, acesso a serviços, espaços compartilhados e soluções alinhadas às questões ambientais. É um mercado altamente competitivo, com clientes muito informados e um nível crescente de exigência em relação à qualidade arquitetônica.

Essa visão pode ser percebida em empreendimentos assinados pela Perkins&Will, como o Blend 468 , que reflete a busca por soluções arquitetônicas alinhadas ao bem-estar, à flexibilidade dos espaços e à qualidade de vida.

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Existe, porém, uma característica que atravessa praticamente todas essas realidades, que é a busca por qualidade de vida. Independentemente da localização ou da tipologia do projeto, percebemos uma valorização crescente de aspectos relacionados ao bem-estar, à natureza, à flexibilidade dos espaços, ao conforto ambiental e à construção de comunidades mais conectadas.

Para nós, a arquitetura mais relevante surge exatamente do encontro entre referências globais e identidades locais. É por isso que dificilmente replicamos soluções de uma cidade para outra. Cada contexto exige uma leitura própria.

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