12 cafés e restaurantes em museus para conhecer pelo mundo
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12 cafés e restaurantes em museus para conhecer pelo mundo

De Londres a Nova York, endereços dentro de grandes museus aproximam gastronomia, arquitetura, arte e design.

Visitar um museu costuma ser uma experiência concentrada no olhar. Obras, exposições, arquitetura e jardins conduzem o visitante por algumas horas de descoberta e em diferentes cidades do mundo essa experiência pode continuar à mesa. Cafés, restaurantes, pâtisseries e salões de chá ocupam espaços majestosos em museus e estabelecem uma relação própria com a história e a identidade de cada lugar.

Alguns estão instalados em ambientes históricos, outros foram concebidos por arquitetos e designers reconhecidos internacionalmente. Há ainda aqueles em que a gastronomia funciona como uma maneira de apresentar a cultura local. Em comum, esses endereços fazem da pausa para um café, um almoço ou um jantar parte da própria visita.

Europa: cafés históricos e design contemporâneo

Em Londres, o V&A Café, dentro do Victoria and Albert Museum, é um dos exemplos mais antigos dessa relação. Em 1856, quando ainda se chamava South Kensington Museum, a instituição criou uma sala de alimentação que é considerada a primeira experiência do gênero dentro de um museu. A iniciativa de Henry Cole, diretor fundador, partia da ideia de que receber o público também significava atender às suas necessidades durante a visita.

Em 1868, três novas salas foram inauguradas e receberam projetos distintos de decoração, assinados por James Gamble, Edward Poynter e William Morris, transformando a área de alimentação em uma extensão da própria linguagem artística do museu. As chamadas Refreshment Rooms permanecem como um dos exemplos mais interessantes da relação entre gastronomia, design e arquitetura na história dos museus. 

A tradição dos cafés vienenses aparece de forma igualmente integrada à arquitetura no Kunsthistorisches Museum, em Viena. O Café-Restaurant ocupa a Kuppelhalle, a grande sala sob a cúpula do edifício, e mantém a atmosfera dos tradicionais cafés da cidade. Aos sábados, domingos e feriados, o espaço também recebe café da manhã, enquanto as noites de quinta-feira transformam a sala histórica em cenário para jantares.

Em Paris, a relação ganha uma leitura contemporânea com o Café Campana, no Musée d’Orsay, que foi projetado pelos irmãos brasileiros Fernando e Humberto Campana. O espaço ocupa uma área próxima a um dos grandes relógios do antigo edifício ferroviário e leva para dentro do museu uma linguagem inspirada no universo aquático e no Art Nouveau. O Musée d’Orsay também conta com outro café localizado no centro do museu, um restaurante e um terraço que, durante o verão, oferece bebidas e pequenos pratos com vista para Paris e o Rio Sena.

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Milão, por sua vez, transforma o café em uma experiência de design. Na Fondazione Prada, o Bar Luce foi criado pelo cineasta norte-americano Wes Anderson em 2015 para reproduzir a atmosfera de um café da antiga Milão. Móveis de fórmica, madeira, cores e referências à estética italiana dos anos 1950 e 1960 aparecem em um projeto que também incorpora elementos inspirados na Galleria Vittorio Emanuele. Anderson imaginou o espaço para ser frequentado, com lugares para sentar, conversar, ler, comer e beber.

Em Veneza, a experiência gastronômica do Museo Correr também se abre para a paisagem da cidade. Localizado no primeiro andar do antigo Palazzo Reale de Veneza, o café tem vista para a Piazza San Marco e para a Basílica de São Marcos. A seleção gastronômica privilegia produtos italianos e referências à tradição veneziana, enquanto os snacks recebem nomes de artistas como Tintoretto, Veronese e Ticiano. O espaço tem entrada livre, mesmo para quem não visita as galerias.

São destinos diferentes, mas que partem de uma mesma ideia. Em Londres e Viena, a gastronomia prolonga tradições históricas. Em Paris e Milão, o design contemporâneo ganha espaço dentro de edifícios culturais. Em Veneza, a própria cidade se transforma em parte da experiência à mesa.

Oriente Médio e Norte da África aproximam patrimônio e gastronomia

No Museum of Islamic Art, em Doha, a arquitetura é o primeiro elemento dessa experiência. Projetado pelo arquiteto I. M. Pei, o museu ocupa uma posição privilegiada na Corniche da capital do Catar. Dentro dele, o MIA Café by Flat White fica no átrio e foi projetado por Philippe Starck. No último andar, o restaurante IDAM by Alain Ducasse oferece cozinha mediterrânea com influências árabes, além de vista para a Corniche e o skyline de Doha.

Em Gizé, o Grand Egyptian Museum leva essa relação a outra escala. O complexo reúne atualmente diferentes opções de alimentação, entre elas 30 North, Zooba, Bitter Sweet, Beano’s Café, Ladurée, Dolato, Mandarine Koueider e Starbucks, além de restaurantes de alta gastronomia previstos para o local.

Entre as opções, a Ladurée se destaca pelo encontro entre uma tradição gastronômica francesa e um dos mais importantes patrimônios arqueológicos do mundo. A pâtisserie de origem parisiense ocupa um espaço dentro do Grand Egyptian Museum e oferece um menu próprio para o endereço.

Em Abu Dhabi, o Louvre Abu Dhabi leva a experiência para uma arquitetura de escala monumental. Projetado por Jean Nouvel, o museu reúne diferentes opções gastronômicas sob sua grande cúpula geométrica, incluindo o café principal, experiências temporárias e o Art Lounge, instalado no terraço durante os meses mais amenos do ano. O espaço é especialmente procurado no fim do dia, quando a vista para o mar e o skyline da cidade acompanha o pôr do sol. 

Em Marrakech, o Bacha Coffee ocupa um dos pátios do Dar El Bacha Palace, antigo palácio do Pasha de Marrakech que hoje abriga um museu. O endereço preserva elementos da arquitetura tradicional marroquina, como jardins, fontes, telas trabalhadas e pisos geométricos, enquanto a experiência gastronômica se concentra no café. A marca oferece mais de 200 variedades de origem única vindas de diferentes partes do mundo. 

Na Ásia, a gastronomia também conta a história das cidades

Em Singapura, a National Gallery Singapore reúne diferentes restaurantes e cafés dentro de seus dois edifícios históricos, o City Hall e o antigo Supreme Court. Entre eles está o National Kitchen by Violet Oon, comandado pela chef e embaixadora da gastronomia local Violet Oon.

O restaurante trabalha com sabores ligados à herança culinária de Singapura, incluindo receitas Peranakan e Eurasian, e ocupa o segundo andar do City Hall Wing. O espaço combina um salão elegante com uma varanda voltada para o skyline da cidade, onde também são servidos drinks e petiscos.

Em Taipei, o National Palace Museum também transforma a gastronomia em parte da visita. A instituição reúne diferentes espaços para comer e beber, entre eles o Xianjufu Café, com refeições leves, doces e sobremesas taiwanesas, e o Sanxitang Space, que combina pratos leves, chá de Taiwan e cafés. O destaque fica por conta do Silks Palace, restaurante instalado no próprio complexo do museu, que oferece culinária taiwanesa e cantonesa e leva a relação com o acervo para a mesa.

Ali, a inspiração não está apenas no ambiente. Alguns pratos e peças de mesa reproduzem ou fazem referência direta a obras da coleção do museu, entre elas o Jadeite Cabbage, uma escultura em jade que reproduz a forma de uma couve chinesa, e o Meat-shaped Stone, peça da dinastia Qing esculpida em jaspe para se parecer com um pedaço de carne cozida. O restaurante transforma essas referências em uma experiência gastronômica que aproxima o visitante de dois dos objetos mais conhecidos do acervo.

Nova York recria a tradição dos cafés vienenses

Em Manhattan, o Café Sabarsky, dentro da Neue Galerie New York, faz um movimento diferente. Em vez de apresentar uma culinária ligada ao destino onde está localizado, o espaço recupera a tradição dos cafés vienenses do início do século XX.

O café leva o nome de Serge Sabarsky, cofundador da Neue Galerie, instituição dedicada à arte e ao design alemães e austríacos. Seu interior reúne luminárias de Josef Hoffmann, móveis de Adolf Loos e um tecido de 1912 atribuído a Otto Wagner. Um piano de cauda Bösendorfer também ocupa o ambiente e é utilizado em apresentações musicais realizadas no museu.

A proposta recupera o papel que os cafés vienenses tiveram como espaços de encontro para artistas, escritores e intelectuais. Em Nova York, essa atmosfera é reconstruída dentro de um museu dedicado justamente à produção cultural alemã e austríaca.

O Café Sabarsky está temporariamente fechado junto com a Neue Galerie para uma obra de restauração do edifício histórico. A reabertura está prevista para 1º de outubro de 2026.

De cafés históricos a restaurantes assinados por grandes nomes da arquitetura e da gastronomia, esses endereços mostram que uma visita ao museu pode continuar muito além das galerias. São lugares que acrescentam ao roteiro uma maneira diferente de conhecer a cultura, o design e os sabores de cada cidade.


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