Instalação em Xangai reúne arquitetura, paisagismo e varejo para celebrar os 170 anos da maison e reinterpretar sua herança britânica.
Uma estufa inspirada nos jardins ingleses, um labirinto formado por cercas vivas, gramados desenhados com o tradicional Burberry Check, esculturas, espelhos d’água e um café dedicado à gastronomia britânica ocupam o Plaza 66, um dos principais centros de luxo de Xangai.
A composição faz parte da Garden Party, instalação temporária criada pela Burberry para celebrar seus 170 anos e apresentar uma leitura contemporânea de sua herança. Antes de chegar às coleções, o visitante percorre um ambiente concebido para transformar a identidade da marca em arquitetura e paisagismo.
O que é a Garden Party da Burberry em Xangai?
A Garden Party é uma instalação temporária criada pela Burberry no Plaza 66, em Xangai, como parte das celebrações de seus 170 anos. Inspirada nos jardins ingleses, a experiência reúne arquitetura, paisagismo, gastronomia e elementos históricos da maison para traduzir sua herança britânica em um espaço físico.
Ao definir Xangai como palco da Garden Party, a Burberry transformou a cidade no centro das comemorações pelos 170 anos da maison. A instalação faz parte de um calendário internacional de iniciativas feitas para marcar o aniversário da marca.
Durante a apresentação dos resultados financeiros de 2026, o CEO Joshua Schulman resumiu essa estratégia. “Vamos celebrar nosso 170º aniversário com uma série de ações da marca ao redor do mundo, culminando em uma grande experiência em Xangai.”
A declaração reforça o papel estratégico atribuído a Xangai nas comemorações e à experiência física como instrumento de construção de marca.
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Quando o paisagismo comunica a identidade da marca
Inspirado nos tradicionais English Country Gardens, o projeto transporta para a China elementos associados à paisagem britânica e ao patrimônio cultural da Burberry. No centro da instalação está uma grande estufa, referência às greenhouses presentes em propriedades rurais inglesas. O percurso atravessa um labirinto de vegetação, passa por áreas de convivência, um anfiteatro ao ar livre, esculturas, uma fonte dedicada ao Equestrian Knight Design, criado em 1901, e termina em um café com cardápio inspirado em clássicos da culinária britânica.
O Burberry Check também recebe uma nova interpretação. Ao invés de aparecer apenas nas peças da coleção, o padrão foi incorporado ao gramado e passou a integrar o projeto paisagístico, tornando um dos principais símbolos da marca parte da própria experiência.
Cada ambiente foi concebido para ampliar a narrativa construída pela instalação. A coleção permanece presente, mas divide espaço com elementos arquitetônicos e paisagísticos que ajudam a contar a história da maison.
O resultado mostra uma mudança de escala na forma como o luxo comunica identidade. Símbolos tradicionalmente associados a produtos passam a ocupar jardins, edifícios e espaços de convivência, transformando a arquitetura em parte da experiência de marca.
A Garden Party faz parte de um movimento que vem sendo reforçado pela Burberry nos últimos anos. Fundada em 1856, a marca consolidou sua reputação desenvolvendo roupas para atividades ao ar livre. Em 1879, Thomas Burberry criou a gabardine impermeável, tecido que transformou a empresa em referência para exploradores, viajantes e expedições.
Poucas semanas antes da inauguração da Garden Party, a Burberry anunciou uma parceria com a Chinese National Geography para produzir a série documental Expedition with Burberry. O projeto acompanha artistas e embaixadores da marca em expedições por diferentes paisagens chinesas e celebra o espírito aventureiro de Thomas Burberry e sua relação com a natureza.
A conexão entre os dois projetos mostra uma narrativa consistente. Natureza, exploração, paisagem e tradição britânica aparecem como elementos complementares dentro da estratégia apresentada pela companhia.
Uma história contada para cada mercado
No mesmo relatório financeiro, Joshua Schulman explicou que a Burberry pretende fortalecer sua relação com consumidores de diferentes regiões por meio de experiências desenvolvidas para cada contexto cultural. O executivo definiu essa estratégia como localized storytelling, expressão utilizada pela empresa para descrever narrativas adaptadas aos mercados onde atua.
Em português, a ideia pode ser compreendida como a construção de histórias capazes de mostrar características culturais locais sem perder a identidade global da marca. A Garden Party traduz esse conceito ao transportar referências britânicas para Xangai por meio da arquitetura, do paisagismo e da experiência presencial.
Arquitetura como linguagem
Embora apresente trench coats, polos, peças da coleção de verão e uma cápsula desenvolvida com o ilustrador Sir Quentin Blake, a Garden Party organiza a visita de forma pouco convencional. O percurso convida o público a caminhar, permanecer e explorar o ambiente antes de chegar aos produtos.
A arquitetura conduz esse movimento. A estufa remete ao patrimônio paisagístico inglês. O labirinto define o ritmo da visita. A fonte recupera um dos símbolos históricos da Burberry. O gramado transforma o Burberry Check em desenho territorial. Cada elemento contribui para comunicar a mesma identidade por linguagens diferentes.
Quando o espaço físico passa a fazer parte da experiência de luxo
No varejo de luxo contemporâneo, lojas, instalações temporárias, cafés, jardins e espaços culturais passaram a assumir um papel que vai além da apresentação de produtos. Esses ambientes permitem que arquitetura, design e paisagismo materializem valores associados às marcas e criem experiências que não podem ser reproduzidas integralmente no ambiente digital.
A Garden Party mostra como os espaços físicos ganharam uma nova dimensão no varejo de luxo. Arquitetura e paisagismo assumem a função de transmitir memória, patrimônio e identidade. Ao transformar um jardim em narrativa, a Burberry mostra como uma identidade construída ao longo de 170 anos pode encontrar novas formas de expressão sem abandonar os códigos que a tornaram reconhecível.
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