O Museu da Cidade de São Paulo exibe na Casa da Imagem a exposição “Fronteiras Movediças” com 150 obras do fotógrafo Penna Prearo, sob curadoria de Fausto Chermont e coordenação de Monica Caldiron. Com mais de 40 ensaios produzidos ao longo de sua trajetória, o artista seleciona obras de mais de 33 deles, além de algumas imagens nunca mostradas, que preenchem 8 salas expositivas na maior exposição de um fotógrafo brasileiro já exibida na cidade de São Paulo.

Penna Prearo é plural na escolha dos temas e linguagem utilizada na confecção de suas séries montando, assim, um portfólio como trajetória sem linha fixa que delimite fronteiras entre trabalhos. “A curadoria de “Fronteiras Movediças apresenta uma panorâmica do trajeto criativo de Penna Prearo, e sua concepção considerou as exposições realizadas nos últimos 40 anos, resgatando os diversos temas abordados nesse período. Abarcar essas mostras permitiu não só abraçar seu trajeto de institucionalização no circuito da arte, mas também cerzir a aparente fratura entre sua fase comissionada e seu interesse pessoal de expressão. (…) Tentei ser coerente sempre que possível para com as obras, quanto aos seus processos originais e respeitar esteticamente seus valores cromáticos e de contraste, para valorizar o caráter de época, sem procurar valorizar com artifícios “atualizando” digitalmente as obras e tornando-as mais digeríveis.”, explica o curador Fausto Chermont

Tendo iniciado sua trajetória vinculada ao mercado da música, no período de grande ebulição do mercado fonográfico brasileiro, fez registros dos principais protagonistas desse meio que se transformaram nos ícones de várias gerações. Como atenta Fausto Chermont, “sua proximidade com os músicos e os agentes do setor renderam fotos que hoje ilustram nossa história”.

Penna Prearo é testemunha ocular das mudanças tecnológicas que ocorreram no mercado da imagem e dos impactos causados por elas. “Encontrou soluções espontâneas de adaptação às transformações, priorizando a continuidade temática e a construção formal que caracterizou sua produção”, conclui o curador. O fotografo decidiu criar e ocupar um território que é seu e também transformar o que já existia antes para servir à sua arte. Além de conhecer profundamente o lugar no tempo em que habita e, a isso, é chamado de cultura.

Fronteiras Movediças é a constatação da não linearidade dos conceitos e temas trabalhados pelo fotógrafo ao longo de uma extensa carreira. As fronteiras, qualificadas como movediças, dão o real significado de sua atuação; pois sua ‘fronteira’ se deixa misturar, é flexibilizada, não apresenta demarcação rígida: “(…) propõe a aproximação com a capacidade do artista de construir e reinventar o mundo, interpretação que o mantém sobrevivente e senhor de suas convicções” especifica o curador

Penna Prearo preferiu criar um mundo inteiro, um universo, ou cosmogonia como fica “moderno” hoje. Talvez porque para ele fosse a forma mais fácil de entender o mundo. Talvez porque seja necessário para ele explicar como ele vê o mundo. (…)O que mais surpreende a todos é que, sua poesia visual é compreendida e ele é reverenciado, mesmo sem nenhuma postura mais conceitual de sua parte para com a sua própria produção.”

Fausto Chermont

Exposição:FRONTEIRAS MOVEDIÇAS’’

Artista: Penna Prearo

Curadoria: Fausto Chermont

Coordenaria: Monica Caldiron

Até 29 de dezembro de 2020

Local: Casa da Imagem/ Museu da Cidade de São Paulo 

www.museudacidade.prefeitura.sp.gov.br/

Endereço: Rua Roberto Simonsen, 136B || Sé, São Paulo-SP

Horários: Terça a domingo, das 11h às 15h

Programação livre – entrada franca