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Tinko Czetwertynki | Azur

Além da Terra, Além do Céu

 

Azur é a terceira exposição individual do artista, em São Paulo, e se estrutura a partir das impressões que o sensibilizam na paisagem brasileira, que como todo estrangeiro, fica impressionado com a luz que aqui encontra, com as cores vibrantes da vegetação e com o grafismo que se apresenta, seja nas dunas dos lençóis maranhenses, seja na topografia das montanhas do Rio de Janeiro.

Fotógrafo profissional, conhecido como Tinko Czetwertynki, nasceu na Bélgica e estudou design gráfico com especialização em fotografia, na Central Saint Martins College, em Londres. Cidadão do mundo e de família nobre, morou em Bruxelas, Londres, Nova Dehli, Beirute, Brasília e Daca, capital do Bangladesh. Começou a fotografar em 1998, com uma Minolta e, inicialmente, dedicou-se se a retratos, tendo em sua lista de clientes as revistas Vogue e Vanity Fair.

Aberto a novas experimentações, o artista  apresenta fotos de paisagens diurnas, nas quais o azul do céu ou da água parece ser o personagem principal. Uma única imagem se destaca deste cenário, uma paisagem noturna, um céu estrelado, exposta em dois diferentes suportes. 

Imagens cumprem uma função simbólica. Vale lembrar de alguns tetos das naves das igrejas, na Idade Média, com um céu estrelado pintado, como se comprova na Sainte Chapelle, em sua capela baixa, construída de 1242 a 1248. E, mesmo antes de Michelangelo povoar o teto da Capela Sistina com seus personagens bíblicos, de 1508 a 1512, lá havia um céu estrelado assinado por Pier Matteo d’Almelia. 

Azur, etimologicamente, é uma palavra árabe, lãzaward, lapislazuli, substância mineral de cor azul, óxido de cobalto. Em françês, bleu(e) é azul e azur também é azul, mas um azul profundo, o que vai …além da Terra, além do Céu ! Uma imagem não é inocente, ela exprime um conceito.

É de Carlos Drummond de Andrade o poema Além da Terra, Além do Céu  que  entra em diálogo com esse texto, pois apesar de linguagens diferentes, compartilham do mesmo conceito contemporâneo, o da liberdade de pensar, pois além da Terra, existe um espaço de azul profundo  “acima das gramáticas e do medo e da moeda e da política”.

 

Elisabeth Leone




Além da Terra, Além do Céu

 

Além da terra, além do céu

no trampolim do sem-fim das estrelas,

no rastro dos astros,

na magnólia das nebulosas.

Além, muito além do sistema solar

até onde alcançam o pensamento e o coração,

vamos!

vamos conjugar

o verbo fudamental essencial

o verbo transcendente, acima das gramáticas

e do medo e da moeda e da política,

o verbo sempreamar

 

Carlos Drummond de Andrade

 

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