Comprar o primeiro imóvel até os 32 anos pode fazer diferença no patrimônio aos 50
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Comprar o primeiro imóvel até os 32 anos pode fazer diferença no patrimônio aos 50

Estudo associa a compra da primeira casa até os 32 anos a um patrimônio 22,5% maior aos 50, enquanto uma nova geração de compradores chega ao mercado de alto padrão cada vez mais jovem

O momento da compra do primeiro imóvel pode ter efeitos que aparecem décadas depois. Uma análise publicada pelo Realtor.com em 2026, baseada em dados do Panel Study of Income Dynamics (PSID), encontrou uma associação entre comprar a primeira residência até os 32 anos e chegar aos 50 com patrimônio líquido 22,5% maior do que quem adia essa decisão por cerca de uma década.

O estudo estima que essa diferença equivale a cerca de US$ 119 mil, considerando o patrimônio médio de US$ 530 mil aos 50 anos na amostra analisada. Para quem comprou entre 33 e 37 anos, o diferencial foi de 11,2%. Entre 38 e 42 anos, chegou a 1,5%.

A explicação está menos no imóvel escolhido e mais no tempo. Quem entra no mercado mais cedo tem uma janela maior para acumular patrimônio com a valorização da propriedade e a amortização do financiamento. O estudo também encontrou crescimento de outros ativos junto ao patrimônio imobiliário entre os compradores mais jovens.

Isso não significa que comprar um imóvel aos 30 anos seja uma fórmula para enriquecer. A pesquisa identifica uma associação entre o momento da primeira compra e o patrimônio acumulado, mas não transforma esse resultado em uma promessa individual de retorno. Ainda assim, coloca uma variável interessante na equação financeira de quem está começando a construir patrimônio: o tempo.

Existe, porém, um detalhe que torna a discussão ainda mais interessante. Nos Estados Unidos, a idade mediana do primeiro comprador subiu de 30 anos em 1990 para 40 anos em 2025, segundo dados da National Association of Realtors citados pelo Realtor.com. O relatório relaciona o movimento ao avanço dos preços dos imóveis em ritmo superior ao da renda e ao tempo maior necessário para formar a entrada.

A questão, portanto, não é simplesmente comprar cedo. É que cada ano de diferença reduz o período disponível para que o patrimônio imobiliário se acumule.

Para o comprador de maior renda, essa discussão assume outra dimensão. O primeiro imóvel pode não ser necessariamente a residência definitiva, mas uma etapa de uma estratégia patrimonial construída ao longo da vida.

Millennials ampliam presença no mercado imobiliário de alto padrão

A discussão sobre idade também combina com outra transformação observada no mercado imobiliário de alto padrão. Levantamento do Luxury Outlook 2026, da Sotheby’s International Realty, mostra crescimento de 50% na participação dos Millennials entre os compradores de imóveis de luxo, o maior avanço entre os grupos analisados. Na América do Sul e na América Latina, o crescimento chegou a 64%.

Boa parte desses compradores está nos 30 e início dos 40 anos. O levantamento aponta a presença de empreendedores, executivos e profissionais que construíram patrimônio ao longo da própria carreira, além de compradores que contam com recursos familiares.

No mercado brasileiro, essa mudança também aparece. Segundo Bel Barros, corretora da Bossa Nova Sotheby’s, o público de alto padrão no Rio de Janeiro está mais jovem e reúne empreendedores, profissionais do mercado financeiro, advogados, executivos e investidores. Em São Paulo, a corretora Luciana Miozzo identifica procura crescente de casais entre 30 e 40 anos, principalmente ligados ao mercado financeiro e à tecnologia.

LEIA MAIS: Millennials redefinem o mercado global de imóveis de alto padrão

Esse comprador não está necessariamente procurando apenas o imóvel para a vida toda. Ele pode estar pensando em localização, qualidade de vida, possibilidade de reforma e valorização futura. A casa acompanha a fase de vida, mas também entra na conta patrimonial.

Comprar cedo não significa comprar para sempre

É aí que a ideia de primeira compra ganha outro significado. Um apartamento adquirido aos 30 anos pode ser o imóvel em que um jovem casal começa a vida, recebe os primeiros filhos ou monta seu escritório. Anos depois, pode ser vendido para financiar uma propriedade maior, uma casa ou outro investimento.

O ponto central está no intervalo entre uma decisão e outra. Quanto antes o patrimônio imobiliário começa a ser construído, maior é o período disponível para que ele faça parte das próximas escolhas.

O próprio estudo do Realtor.com mostra que famílias que adiam a compra por seis a dez anos depois dos 30 acumulam, em média, cerca de 17,5% menos patrimônio aos 50 do que famílias semelhantes que compram antes. Quando o adiamento passa de uma década, a diferença se aproxima de 20%.

Há ainda uma dimensão familiar nessa equação. Adultos que cresceram em famílias proprietárias apresentaram probabilidade 18,4 pontos percentuais maior de comprar um imóvel até os 35 anos do que aqueles que cresceram em famílias que sempre alugaram. O relatório também aponta que cerca de um em cada cinco compradores de primeira viagem recebe algum tipo de presente ou empréstimo de familiares ou amigos para viabilizar a aquisição.

Comprar um imóvel mais cedo ajuda a construir patrimônio?

Segundo análise do Realtor.com baseada no PSID, comprar a primeira residência até os 32 anos está associado a um patrimônio líquido 22,5% maior aos 50 em comparação com adiar a compra por aproximadamente uma década. O resultado indica associação, não garantia de retorno.

O primeiro imóvel não precisa ser o imóvel de uma vida inteira.

Para quem tem condições de entrar no mercado mais cedo, ele pode ser o início de uma trajetória patrimonial que acompanhará diferentes momentos da vida. É justamente essa perspectiva que o estudo acrescenta à discussão: mais do que tentar prever qual será a casa ideal daqui a 20 anos, pode ser relevante entender o papel que a primeira aquisição terá até lá.

A escolha de uma propriedade também passa pelos planos que vêm depois dela. Conheça a curadoria da Bossa Nova Sotheby’s International Realty em São Paulo, Rio de Janeiro, campo, praia e destinos internacionais.

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