Nova York, Los Angeles, Milão e Hong Kong mostram que infraestrutura, relevância econômica e capacidade de adaptação ajudam alguns mercados residenciais a manter sua força mesmo diante de crises e mudanças globais
No mercado imobiliário de luxo, uma cidade resiliente é aquela capaz de manter sua atratividade para compradores e investidores mesmo diante de crises econômicas, mudanças políticas ou transformações globais, graças a fatores como infraestrutura, estabilidade institucional, inovação e relevância econômica.
As cidades concentram riqueza, inovação e oportunidades em uma escala difícil de replicar. Segundo o 2026 Mid-Year Luxury Outlook, levantamento exclusivo da Sotheby´s International Realty, mais de 4 bilhões de pessoas vivem atualmente em áreas urbanas, o equivalente a 45% da população mundial, percentual que deve continuar crescendo até 2050. Ao mesmo tempo, apenas mil cidades são responsáveis por quase 60% do Produto Interno Bruto (PIB) global. Essa concentração de pessoas, capital e talentos ajuda a explicar por que determinados mercados imobiliários mantêm sua atratividade mesmo em períodos de instabilidade.
O relatório destaca que nem todas as cidades respondem da mesma forma aos desafios econômicos, políticos ou ambientais. Mercados considerados resilientes compartilham características como instituições sólidas, ambiente de negócios favorável, capacidade de inovação, infraestrutura consolidada, integração às redes globais e forte capital social. Esse conjunto de fatores cria condições para que a demanda por imóveis de alto padrão permaneça ativa mesmo após períodos de volatilidade.
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Nova York mostra a força de um mercado que atravessa diferentes ciclos
Poucos mercados ilustram melhor essa capacidade de adaptação do que Nova York. Nas últimas décadas, a cidade enfrentou ataques terroristas, uma crise financeira global, a pandemia e mudanças profundas na dinâmica do trabalho, com a expansão dos modelos remoto e híbrido. Ainda assim, o mercado residencial segue aquecido.
Segundo o Luxury Outlook, as vendas de imóveis residenciais cresceram 4% no primeiro trimestre de 2026, movimentando US$ 6,2 bilhões. O relatório também destaca que os preços em Manhattan permaneceram relativamente estáveis ao longo da última década, enquanto outras regiões dos Estados Unidos registraram valorizações mais aceleradas. Essa diferença cria espaço para novas oportunidades de valorização, especialmente em imóveis considerados subavaliados.
Outro fator apontado pelo relatório da Sotheby’s é a oferta limitada de imóveis. Embora novos empreendimentos estejam previstos para diferentes regiões da cidade, bairros tradicionais continuam atraindo compradores que valorizam localização, infraestrutura, acesso à cultura e qualidade urbana.
Los Angeles combina qualidade de vida e capacidade de recuperação
Los Angeles também demonstra que a resiliência vai além dos indicadores econômicos. O mercado enfrentou mudanças tributárias, aumento dos custos de seguro e os incêndios que atingiram bairros como Pacific Palisades e Altadena em 2025. Mesmo diante disso, os preços permaneceram praticamente estáveis na região metropolitana e alguns bairros registraram forte valorização impulsionada pela demanda.
O relatório atribui parte dessa força à diversidade da cidade. Diferentes estilos de vida, ampla oferta residencial, clima, paisagens naturais e uma das economias mais robustas do mundo continuam sustentando o interesse de compradores nacionais e internacionais.
Segundo o levantamento, existe ainda um componente menos mensurável, mas igualmente importante. A identidade construída em torno da liberdade, da criatividade e da qualidade de vida faz com que muitos moradores escolham permanecer na cidade mesmo diante de desafios recentes.
Milão amplia sua relevância como destino internacional
Ao longo das últimas duas décadas, Milão consolidou sua transformação de polo industrial para uma cidade global. O fortalecimento dos setores financeiro, tecnológico e de design, aliado à realização de grandes eventos internacionais, ampliou sua projeção entre investidores e compradores de alto patrimônio.
O Luxury Outlook destaca que incentivos fiscais destinados a novos residentes contribuíram para atrair empresários, executivos e famílias internacionais. Ao mesmo tempo, a oferta extremamente limitada de imóveis prontos para ocupação mantém a pressão sobre os preços nas regiões mais disputadas da cidade.
Outro diferencial apontado pelo relatório é a combinação entre qualidade de vida, localização estratégica no centro da Europa, boas conexões internacionais e custos de vida considerados competitivos quando comparados a outras capitais globais do segmento de luxo.
Hong Kong reforça seu papel como porta de entrada para a Ásia
Depois de um período marcado pelo excesso de oferta e pelos impactos da pandemia, Hong Kong voltou a apresentar sinais consistentes de recuperação. O relatório mostra que as vendas de imóveis cresceram em 2025, enquanto os preços começaram a se estabilizar após anos de ajustes.
A cidade também voltou a atrair compradores internacionais por meio de iniciativas como programas de residência vinculados a investimentos e mudanças tributárias que simplificaram a aquisição de imóveis. A segurança jurídica baseada no sistema de common law, o ambiente tributário competitivo e a posição estratégica dentro da Grande Baía permanecem entre os principais diferenciais do mercado local.
Além da recuperação econômica, Hong Kong mantém sua relevância como um dos principais centros financeiros da Ásia, característica que continua sustentando a demanda por imóveis de alto padrão.
Resiliência nasce da capacidade de adaptação
Embora cada uma dessas cidades apresente características próprias, o 2026 Mid-Year Luxury Outlook identifica um padrão. Os mercados imobiliários mais resilientes não dependem apenas do momento econômico. Eles combinam relevância internacional, infraestrutura consolidada, ambiente favorável aos negócios, oferta restrita de imóveis e capacidade de adaptação diante de mudanças.
Esse conjunto de fatores ajuda a explicar por que Nova York, Los Angeles, Milão e Hong Kong continuam entre os destinos mais desejados por compradores de alto patrimônio. Em comum, todas demonstram que a resiliência no mercado imobiliário de luxo está menos ligada à ausência de crises e muito mais à capacidade de atravessá-las preservando seu potencial de atração e valorização.
Na Bossa Nova Sotheby’s International Realty, acompanhamos os principais movimentos do mercado imobiliário de luxo global para oferecer análises sobre as tendências que influenciam investidores, compradores e cidades ao redor do mundo. Continue acompanhando nossos conteúdos sobre mercado, arquitetura e lifestyle.

