O mês passado foi relevante em todos os aspectos que determinam os preços do mercado financeiro: desenvolvimentos econômicos, políticos e monetários no palco nacional e internacional garantiram movimentos intensos ao longo de outubro.

Começando pelo assunto mais alardeado do último ano e meio: a Guerra Comercial. No dia 11/10, o governo americano anunciou haver chegado a um entendimento inicial com a China para remover as ameaças de tarifas que seriam implementadas no dia 15/10. Este entendimento em pouco difere de propostas já feitas anteriormente, na qual a China se compromete a aumentar a compra de bens agrícolas, enquanto os EUA retardam a implementação de tarifas. Na pratica, o assunto fundamental por trás do conflito (a política industrial e de alta tecnologia chinesa) permanecem intocadas, o que leva a crer que o acordo (ainda não assinado) é somente um acerto temporário para retirar um vetor de pressão negativa para a economia americana enquanto nos aproximamos das eleições presidenciais do ano que vem.

No campo econômico internacional, destaca-se que seguimos acumulando sinais de desaceleração global, com a China relatando a menor expansão do PIB desde que os dados começaram a ser divulgados em 1993. Já os manufacturing PMIs da Europa permanecem em patamar contracionista, enquanto que o PIB americano é sustentado somente pelo consumo privado e pelo governo. A parte de investimentos nos EUA registrou o segundo trimestre de contração seguido.

O FED reduziu a taxa de juros pela terceira reunião seguida, levando-a ao patamar de 1.5-1.75%. A comunicação do Banco Central, no entanto, dá a entender que a taxa atual é vista como adequada para o momento do ciclo da economia americana. Assim, o FED indica que estará fora das surpresas do futuro próximo, a não ser que ocorra uma grande deterioração nas condições econômicas e financeiras (o que ensejaria um novo corte) ou então uma súbita e inesperada aceleração inflacionária (o que levaria a uma retomada do ciclo de altas interrompido no final de 2018).

No Brasil, a reforma da previdência foi finalmente aprovada e prevê-se uma economia de R$ 800bi ao longo dos próximos dez anos. Ao mesmo tempo, o crescimento dá alguns sinais mais consistentes de retomada, ainda que seja natural que os dados sejam voláteis dado o patamar ainda bastante incipiente do ciclo.

Em termos políticos, o governo começa a desenhar uma série de novas reformas designadas para destravar a economia, desburocratizar o estado e desvincular os gastos obrigatórios. Este conjunto de reformas, sem dúvidas essenciais para a sustentabilidade do crescimento brasileiro a longo prazo, depende, no entanto, de um intenso trabalho de articulação política. O governo teve sorte durante a reforma da previdência, com o congresso assumindo o ônus da negociação política que levou, finalmente, a sua aprovação. No entanto, não há garantias de que o congresso esteja disposto a repetir tal postura durante a negociação das próximas reformas.

Finalmente, o Banco Central do Brasil cortou a taxa de juros em 0.5%, levando a SELIC a novo patamar de recorde histórico de baixa em 5%. O comunicado emitido após a decisão trouxe algumas informações relevantes: o COPM praticamente dá como certo mais um ajuste de 0.5% (levando a SELIC até o final do ano a 4.50%). No entanto, o comitê informa que (eventuais) ajustes adicionais da taxa de juros devem ser feitos com cautela. Com isso, fica evidente a sinalização de que o BC busca flexibilidade em termos do tamanho do ajuste (podendo voltar a cortes de 0.25% ou menos) como dimensão do budget que ainda resta para ser implementado neste momento (podendo parar em 4.50% ou cortar ainda mais). Assim, o BC comunica que estamos nos aproximando do fim do ciclo de cortes presente, mas que o patamar definitivo ainda está em aberto.

Os desenvolvimentos ao longo do último mês reforçam a nossa postura otimista em relação a ativos de risco no Brasil: a queda no risco de elevação das tarifas junto a novo afrouxamento da política monetária americana promove um cenário de crescimento global mais amistoso. Por sua vez, o avanço da agenda econômica do governo é essencial para garantir um cenário de crescimento mais sustentável para o Brasil.