Hoje, o que menos fazemos pelo celular é telefonar. Nele concentramos uma vida. Das fotos dos filhos à conta paga pelo aplicativo do banco. De mensagens importantes, que beiram o confidencial, a detalhes como endereços por onde passamos. Quase tudo é feito pelos smartphones. A mobilidade nos deu um mundo de encantos e conforto. De quebra, nos expôs a riscos. Os cibercriminosos estão de plantão e passaram a olhar com mais atenção as nossas fragilidades.

As empresas, que incentivam seus colaboradores a trabalhar em casa e a conectar seus smartphones aos sistemas da empresa, disponibilizando dados sensíveis, estão correndo um risco ainda mais expressivo.

“Sem dúvida há maior consciência quanto à importância da segurança cibernética, que inclui também dispositivos móveis, mas o preparo para a mitigação e resposta aos riscos da era digital tem bastante a evoluir ainda nas empresas”, afirma Fernando Carbone, diretor sênior da Kroll no Brasil para a Prática de Investigações e Segurança Cibernética. “Mais do que preocupação e investimento, esse é um trabalho que demanda uma mudança cultural e de maturidade empresarial”.

Segundo a Pesquisa de Riscos em Segurança de TI Corporativa 2016, feita pela Kaspersky Lab e B2B International, 51% das empresas concordam que, com mais dispositivos móveis utilizados pelas organizações, ficou mais difícil o gerenciamento de segurança destes aparelhos. Outro número preocupante: 54% dos negócios tiveram informações vazadas porque funcionários perderam seus dispositivos.

Carbone ressalta que, por estarem hoje amplamente incorporados à rotina das pessoas, funcionando inclusive como ferramentas de trabalho, os dispositivos móveis são uma porta de acesso a informações e dados sensíveis. “Estes aparelhos podem facilitar violações de sistema e, consequentemente, causar prejuízos à pessoa e, principalmente, à empresa”, explica. É por isso que a perda ou o roubo deles representa uma ameaça.

Para o executivo da Kroll, especializado em segurança cibernética, é preciso ter consciência destas ameaças e agir preventivamente, priorizando medidas de gestão de riscos. A seguir, Carbone dá dicas essenciais para esta segurança:

Para empresas

  • Crie e mantenha políticas de uso e acesso de aparelhos proprietários ou que venham a se conectar ao sistema da empresa.
  • Conheça códigos/passwords.
  • Tenha a possibilidade de gerenciamento remoto dos dispositivos.
  • Certifique-se de que backups estejam à disposição.

Para uso pessoal

  • Assim como em computadores, tenha programa antivírus instalado e atualizado em seu aparelho.
  • Crie senhas fortes para as diferentes plataformas de acesso.
  • Não acesse sites ou links desconhecidos compartilhados por e-mails.
  • Mantenha backups regulares de arquivos.

Fernando Carbone, da Kroll, enfatiza que as medidas não blindam por completo a ameaça de malwares ou ataques, porque estes estão cada vez mais regulares e sofisticados, mas aumentam muito o nível de segurança do usuário.