Sala de apartamento em Portugal com varanda
Internacional

Investir em imóveis alternativos é a nova tendência

Em Portugal, 53% dos investidores querem aumentar os investimentos em pelo menos três segmentos do setor, com um foco especial em edifícios residenciais para locação e residências para o público sênior.

 

Novas formas de viver e trabalhar têm sido criadas diante das necessidades das novas gerações que procuram cada vez mais flexibilidade, viver experiências e ter uma boa qualidade de vida (work-life balance). Vivemos em uma nova era de globalização, com uma crescente urbanização, onde a tecnologia, flexibilidade e o compartilhamento são prioridades.

Esses fatores, associados ao desenvolvimento econômico, têm fomentado, por um lado, fluxos de migração cada vez maiores, como é o caso dos estudantes internacionais ou dos expatriados e nômades digitais, enquanto pelo outro, criam pressão no preço da habitação levando a uma preferência por parte das famílias pela locação em vez da compra. Ao mesmo tempo, a tendência demográfica de envelhecimento da população, principalmente na Europa, tem aumentado a procura de ativos com soluções inovadoras em espaços de qualidade, que ofereçam serviços e comodidades à população sênior. Desse modo, os promotores e operadores estão focados no desenvolvimento de novas soluções de habitação mais variadas, de forma a satisfazer a crescente demanda. Soluções essas que pretendem oferecer a melhor experiência, criando espaços comuns e sociais e prestando todos os serviços e comodidades incluídos em um preço único.

Os estudos já estabelecidos fomentam um crescimento sustentado pelo investimento no setor de Living, nomeadamente, nas residências de estudantes, residências sênior, co-livings e edifícios residenciais para locação. De acordo com o estudo mais recente feito pela JLL sobre o mercado de “Living” europeu em 2021, a percentagem de investidores que quer investir nesse setor tem crescido de forma gradual desde o 1º questionário (2019), subindo de 41% para 59% do total de investidores contatados. Em Portugal, 53% dos investidores querem aumentar os investimentos em pelo menos três segmentos do setor, com um foco especial em edifícios residenciais para locação e residências para o público idoso. Os investidores já presentes nesse setor querem duplicar a exposição ao mesmo, passando dos atuais 13% para 21% do total de capital sob gestão.

Em 2020, apesar da pandemia, o investimento em ativos do setor de Living alcançou um novo recorde de 83,4 mil milhões de euros a nível europeu, no qual se destacou o segmento de edifícios residenciais para locação (multifamily), que mostrou ser muito resiliente face à incerteza verificada no mercado.

As razões pelas quais o setor de Living tem encabeçado a lista de preferências dos investidores, devem-se principalmente ao grande desfasamento entre procura e oferta e ao fato da oferta existente não ter qualidade (84% dos investidores). Sendo que 75% dos investidores considera a resiliência do setor e a sua capacidade de gerar rendimento estável a longo prazo como grande atrativo, enquanto 46% dos investidores indicam que as tendências demográficas são muito positivas. Não menos importante, esse segmento permite diversificar o risco das carteiras de investimento.

No entanto, como em qualquer outro mercado, existem também diversas barreiras ao investimento, como por exemplo a falta de produto adequado ou a dificuldade em alcançar escala imediata e de encontrar os operadores certos, com experiência e  bons retornos financeiros. Os riscos da regulação, seja da falta dela ou do excesso, também criam receio nos investidores. A regulação não é necessariamente negativa para investimentos de longo prazo em ativos do setor de Living, no entanto, deve ser justa, transparente e viável para não dissuadir aqueles que desejam investir.

O estudo revela ainda que a grande maioria dos investidores implementa cada vez mais soluções tecnológicas e sustentáveis nos edifícios, com o objetivo de cumprir com as metas de sustentabilidade a que se comprometeram, assim como, aumentar a eficiência dos edifícios, diminuir custos de manutenção e melhorar o bem-estar dos moradores. Acreditam também no grande aumento de investimento no setor e na compressão das yields à medida que os vários segmentos se consolidam em cada geografia.

Portugal tem acompanhado tais tendências internacionais estando no mapa do investimento. Nos últimos 3 anos, foram investidos mais de 850 milhões de euros em transações nesses mercados, e a perspectiva é de um pipeline superior a 550M€ para os próximos meses. Projetos maioritariamente desenvolvidos por promotores portugueses, operados por portugueses ou estrangeiros, e comprados por investidores institucionais estrangeiros.

O mercado das residências de estudantes privadas tem-se consolidado nos últimos 3/4 anos, contando já com cerca de 5.100 acomodações em oferta e 11.400 vagas em pipeline em âmbito nacional. No entanto, faltam ainda muito para suprir as necessidades dos estudantes. As residências para seniores têm gerado cada vez mais interesse por parte dos investidores, operadores e promotores. Percebe-se muitas aquisições diretas de diversos lares em operação um pouco por todo o país por investidores estrangeiros que veem, nas aquisições, a porta de entrada em Portugal para criar escala rapidamente e ter acesso a equipes com conhecimento local, e assim expandir as suas plataformas e construir novos projetos de acordo com os padrões internacionais. O segmento de multifamily tem sido alvo de muito interesse por parte dos promotores que começam agora a avaliar diversas oportunidades, e o co-living é ainda um mercado muito recente, se desenvolvendo a partir da entrada de novas multinacionais em Portugal que atraem cada vez mais expatriados e nômades digitais.

Portugal continuará a crescer e a desenvolver-se atraindo mais pessoas, investidores e empresas, afirmando-se como um destino para visitar, trabalhar, investir e viver.

 

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Adaptação | JLL

 

Artigo de opinião de António Palma, Senior Consultant of Living & Alternative Investment, Capital Markets

 

(Nota: O questionário sobre o mercado de Living foi respondido por 40 investidores que geram mais de 9,5 bilhões de euros em ativos sob gestão. O setor de Living inclui os segmentos: residências de estudantes, residências sênior, co-livings e multifamily (edifícios residenciais para locação).)

 

 

 

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