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Pedras brasileiras na arquitetura de luxo elevam o conceito de identidade no Autór Jardins

Empreendimento no Jardim Paulista aposta na materialidade como eixo narrativo e revela como o uso de rochas naturais redefine sofisticação, curadoria e bem-estar nos interiores contemporâneos

No coração do Jardim Paulista, um dos endereços mais valorizados de São Paulo, o Autór Jardins se apresenta como uma síntese rara entre arquitetura autoral, curadoria precisa e expressão material. O projeto propõe uma leitura sofisticada do morar contemporâneo, onde cada elemento é pensado como parte de uma narrativa coesa e onde as pedras brasileiras assumem protagonismo absoluto.

Inserido em uma lógica que dialoga diretamente com o comportamento de um público que busca exclusividade não apenas no produto, mas na experiência, o Autór Jardins desloca o olhar tradicional sobre acabamentos de luxo. 

Rochas naturais, com suas variações cromáticas, texturas e marcas do tempo geológico, deixam de ocupar um lugar secundário e passam a estruturar a identidade dos espaços, conectando arquitetura, arte e design sob uma mesma assinatura sensível e precisa.

É nesse contexto que a arquiteta Vivian Coser constrói sua abordagem, transformando o uso da pedra em um gesto curatorial que transcende o estético e alcança o sensorial. Ao trabalhar o bruto como ponto de partida e não como acabamento, seu processo revela uma tendência cada vez mais presente nos projetos de alto luxo da valorização de materiais que carregam origem, autenticidade e permanência. 

Na entrevista a seguir, ela aprofunda como essa escolha impacta a linguagem arquitetônica e a forma como habitamos e percebemos os espaços.

No Autór Jardins, o uso de pedras brasileiras aparece como um elemento central da linguagem do projeto. Como você enxerga o papel desses materiais na construção de uma identidade arquitetônica contemporânea e, ao mesmo tempo, profundamente brasileira?

No Autór, a pedra brasileira não é um elemento aplicado, ela é origem.

Acredito que a arquitetura contemporânea mais relevante hoje não é aquela que neutraliza a identidade, mas a que revela, com sofisticação, a essência do lugar. E, nesse sentido, as rochas naturais brasileiras são uma das expressões mais potentes da nossa cultura material.

Elas carregam tempo geológico, diversidade cromática e uma riqueza sensorial impossível de replicar industrialmente. Quando trabalhadas com precisão, em escala, desenho e proporção, deixam de ser apenas matéria e passam a estruturar a narrativa do espaço.

É assim que construímos uma arquitetura que é, ao mesmo tempo, contemporânea e profundamente brasileira: silenciosa, sofisticada e enraizada.

Seu trabalho frequentemente faz parte da transformação de matérias-primas em experiências sofisticadas. No caso das pedras naturais, qual é o processo que guia essa transição do bruto ao refinado?

No meu processo, a matéria nunca entra como acabamento, ela é o ponto de partida do pensamento arquitetônico.

A transição do bruto ao refinado não é sobre transformar a pedra, mas sobre revelar o seu potencial. Existe um olhar muito atento para entender suas características, densidade, textura, comportamento na luz e, a partir disso, construir o desenho.

O projeto atua como um gesto de edição: organiza, enquadra e valoriza essa força natural.

Refinamento, para mim, não é suavizar a matéria e sim dar clareza à sua expressão. É quando o desenho encontra o equilíbrio entre precisão técnica e sensibilidade.

Em um empreendimento como o Autór, que nasce a partir de uma lógica curatorial e autoral, como a escolha das rochas dialoga com os demais elementos — arte, mobiliário e arquitetura — para criar uma narrativa coesa?

No Autór, a curadoria não é uma etapa, é a estrutura do projeto.

A pedra funciona como eixo narrativo. A partir dela, todos os outros elementos são selecionados para construir uma linguagem única e coerente.

Existe um cuidado muito grande em trabalhar com hierarquia. Quando a materialidade assume protagonismo, arte e mobiliário entram de forma mais silenciosa, quase como uma extensão desse discurso.

Esse equilíbrio é essencial para criar espaços que não competem entre si, mas que se complementam. O resultado é uma arquitetura onde cada elemento tem intenção e onde o todo é mais forte do que a soma das partes.

Você já falou sobre a relação entre biofilia e o uso de materiais naturais. De que forma as pedras brasileiras contribuem para essa conexão entre arquitetura, bem-estar e natureza dentro dos espaços contemporâneos?

A pedra natural é, talvez, uma das formas mais diretas de trazer a natureza para dentro da arquitetura.

Ela não apenas representa o natural, ela é o natural.

Sua textura, temperatura, variação e imperfeição criam uma experiência sensorial que reconecta o corpo ao espaço. Isso tem um impacto direto no bem-estar, porque ativa uma percepção mais profunda e menos artificial do ambiente.

Em um mundo cada vez mais industrializado, a presença da rocha traz equilíbrio. Ela desacelera o olhar, traz permanência e cria uma atmosfera mais autêntica.

A biofilia, nesse contexto, deixa de ser conceito e passa a ser experiência.

O Brasil possui uma das maiores diversidades geológicas do mundo, com centenas de tipos de rochas disponíveis. Como essa abundância impacta suas decisões de projeto e, especialmente, a forma como você busca exclusividade e sofisticação nos interiores?

O Brasil possui uma riqueza geológica absolutamente única e isso é um privilégio criativo.

Mas, no meu trabalho, a sofisticação não está na quantidade, e sim na curadoria.

No Autór, optamos por trabalhar com poucos materiais, explorados com profundidade. A exclusividade nasce da forma como a pedra é escolhida, posicionada e desenhada dentro do espaço.

Cada bloco é único, cada leitura é irrepetível. A verdadeira sofisticação está na intenção: na escolha precisa, na escala correta e na capacidade de transformar matéria em linguagem.

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