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Biarritz: o Éden Art Déco à beira da Baía de Guanabara

Descubra a fascinante história do Edifício Biarritz, um ícone do Art Déco no Rio de Janeiro, onde a arquitetura clássica e o toque carioca se entrelaçam à beira da deslumbrante Baía da Guanabara

Paris, Miami e Rio de Janeiro compartilham uma forte influência da estética art déco em sua arquitetura, tornando as três das cidades nas mais encantadoras do mundo. Essa influência se estende para além da arquitetura, abrangendo a decoração, o mobiliário, a moda, as artes plásticas, o design, as artes gráficas, o cinema e a publicidade. O movimento art déco caracteriza-se por uma identidade visual marcada por formas geométricas e aerodinâmicas. Além disso, incorpora influências nativistas de diversas culturas antigas, como egípcia, hindu, grega, oriental, maia, asteca e até mesmo dos povos originários norte-americanos.

No contexto brasileiro, o art déco apropriou-se dos elementos indigenistas presentes na arte marajoara, assim como dos traçados das tribos tupis e guaranis, entre outras. Essa fusão de influências resulta em uma expressão única do movimento art déco no Brasil, se destacando pela riqueza e diversidade de suas inspirações culturais.

Certas expressões artísticas têm o poder de influenciar gerações inteiras, expandindo sua influência pelo mundo. Isso foi evidente com o Art Déco no Rio de Janeiro, cidade que originou construções inspiradas por esse movimento artístico aqui no Brasil.

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Henri Paul Pierre Sajous e Auguste Rendu, grandes nomes da missão artística no Brasil, eram profissionais em ascensão, reconhecidos por seus trabalhos no Rio e Minas Gerais. Embora já tivessem projetado o Edifício Mesbla, o Palácio do Comércio e a Igreja Santíssima Trindade, ainda buscavam um projeto marcante para um edifício residencial. A oportunidade surgiu em 1940, quando criaram o Edifício Biarritz. Este edifício residencial, posteriormente, tornou-se um ícone representativo do estilo Art Déco no país.

Essa pesquisa minuciosa foi feita por André Skowronski, Head de Vendas da Innovun Consulting e carioca apaixonado pela cidade que possui uma memória afetiva com o edifício. 

“Desde criança, quando passava a pé ou de carro ficava impressionado e curioso como ele se destacava por conta das varandas e toldos amarelos”, conta André. “Me perguntava se era um hotel ou um edifício residencial, já que aquela simetria e curvas eram únicas, tão diferentes dos prédios da Praia do Flamengo.  Com uns 17 anos fiz uma visita a um amigo de meu avô que morava lá e pude conhecer ainda que brevemente o prédio. O tamanho do hall, a vista para Baía da Guanabara e a varanda com os toldos me saltaram aos olhos, e por instantes, parecia estar em outra cidade, algo meio mágico. Hoje, 30 anos depois, entendo aquele fascínio por conta de tantos detalhes do projeto. Realmente, mesmo sendo residencial, tem muito de artístico, futurista, mas ao mesmo tempo tradicional: combinação rara que o Art Déco possibilita”.

Concluída em 1945, a construção logo se destacou na então jovem Praia do Flamengo, se destacando pela fidelidade ao estilo, adaptação à realidade tropical carioca, escolha de materiais e grandiosidade. O Edifício Biarritz incorpora elementos exclusivos da Missão Artística Francesa, especialmente do Art Déco, porém, o diferencial fica na adaptação ao ambiente litorâneo e tropical da cidade, que podem ser observados nos balcões arredondados de dupla curvatura e os elegantes gradis dourados em formato de flor, que se tornaram assinaturas do edifício.

“Vejo da varanda arquitetos de fora país analisando a fachada do Biarritz quase todos os dias. E penso então que o arquiteto Henri Sajous esteve muito à frente de seu tempo, projetando um prédio clássico, Art Deco, mas que tivesse um quê de carioca, por conta das varandas. Foi genial. E isso, claro, marca o espaço urbano, moradores e transeuntes”, opina Skowronski.

Em sua pesquisa, André conta que, ao longo de oito décadas, o Edifício Biarritz também se destacou pelas histórias de personalidades e moradores notáveis. Percival Farquhar, empreendedor norte-americano responsável pela criação da estrada de ferro Madeira-Mamoré, é um dos principais. Outra figura marcante, porém, foi Harry Stone, representante poderoso da indústria cinematográfica mundial no Brasil, conhecido como o ‘embaixador de Hollywood’. Cada estrela que ele atraía para o Rio deixava sua marca no edifício.

“Cada vez mais vemos novos tipos de materiais e design sendo lançados por imobiliárias no Rio, mais principalmente em São Paulo. No entanto, acredito que determinadas edificações sempre serão observadas e se destacarão. E aí vejo que o Biarritz é um deles”, finaliza André.  

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