Janeiro foi um mês complexo para as economias globais. A euforia do começo do ano (marcada no Brasil pelo avanço da bolsa), reverteu-se rapidamente em um aumento considerável na volatilidade em consequência da eclosão de riscos geopolíticos no Oriente Médio e, mais recentemente, do surto de coronavírus na China.

A economia global abriu o ano na expectativa da assinatura da fase um do acordo comercial entre EUA e China, que se efetivou no dia 15 de janeiro na Casa Branca. Conforme amplamente esperado, o acordo traz uma série de objetivos que a China tem de cumprir para que seja mantido em vigência, mas revela pouca profundidade sobre a arbitragem de conflitos e método de implementação.

Naturalmente, a interpretação é de que o acordo, como posto atualmente, serve somente para garantir que não haverá uma retomada do ciclo de altas de tarifas até a eleição americana, o que reduz um pouco a incerteza no curtíssimo prazo. Ainda assim, pensando-se em termos da economia real, é razoável supor que o investidor americano terá parcimônia na sua decisão de investimento, visto que a passagem da eleição pode levar os EUA a adotarem novamente uma postura comercial mais agressiva vis-à-vis a China.

Logo no início do mês, o Oriente Médio voltou ao centro das atenções globais: os EUA eliminaram o General Qassem Soleimani da Guarda Revolucionária iraniana, responsável pela expansão da rede de grupos terroristas pró-Irã na região (Hezbollah, Houthis, etc.). A volatilidade elevada reverteu-se rapidamente, visto que a retaliação iraniana foi meramente figurativa. Apesar disso, vale mencionar que os episódios de maior volatilidade na região têm aumentado em frequência desde 2016.

A grande surpresa negativa do mês, que tem pesado sobre os mercados, foi o surto de coronavírus na região de Wuhan na China. O vírus espalha-se rapidamente e os efeitos sobre a economia local e global são de difícil mensuração enquanto não soubermos ao certo o ponto de estabilização de seu avanço. Ainda assim, resta evidente que o evento não pode ser positivo para a economia global: os sucessivos movimentos de quarentena na China, fechamento de instituições de ensino, produção e entretenimento e a restrição ao fluxo de pessoas no mundo é claramente negativo. Caso estas restrições de movimentos de pessoas passem a ser implementados para bens também, o efeito negativo sobre a economia global será ainda maior.

No Brasil, o mês trouxe poucas novidades no campo político por conta do recesso parlamentar. Os diversos boatos de uma eminente reforma ministerial foram sucessivamente descartados e o governo parece pronto para apresentar ao longo de fevereiro sua proposta de reforma administrativa. Enquanto isso, a reforma tributária (ainda que desidratada) ganha força no Congresso.

Na economia, vimos um arrefecimento das estimativas mais animadas com o crescimento de 2020, visto que os últimos dados de atividade vieram marginalmente mais fracos do que o esperado. Ainda assim, a aceleração da atividade ao longo do segundo semestre do ano passado é evidente. A inflação veio acima do esperado e mostrou os núcleos mais consistentes com a meta do Banco Central. Porém, a perda de força da inflação de proteínas aliada a revisões para baixo nas expectativas de inflação para este ano e próximo levaram o mercado a precificar mais cortes da taxa SELIC.

Assim, resume-se o cenário como mais cauteloso do que o que preponderou no final do ano passado. A economia americana passará por um período razoável de incerteza com a abertura do calendário eleitoral, enquanto que o coronavírus impõem um grande ponto de interrogação sobre o desempenho econômico global no começo deste ano. Apesar disso, o cenário de crescimento no Brasil segue otimista (a menos que os riscos para a economia global se materializem), o que sugere manutenção da alocação em bolsa, ainda que de forma mais seletiva do que no passado recente.

Carteira Agressiva
Carteira Moderada
Carteira Conservadora
Horus

Ronaldo Baeta Guimarães | Modalmais