Levantamento do último Snapshots da Bossa Nova Sotheby´s aponta que segmento de altíssimo padrão mantém liquidez e demanda qualificada, mesmo em cenário econômico mais seletivo
O mercado imobiliário de altíssimo padrão em São Paulo segue operando em uma lógica própria e os números mais recentes reforçam essa dinâmica. As vendas de imóveis acima de R$ 10 milhões registraram crescimento de 34%, evidenciando não apenas a força do segmento, mas também a consistência da demanda por ativos de alto valor na capital paulista. É o que aponta o último relatório Snapshots da Bossa Nova Sotheby´s, que traduz dados de inteligência de mercado.
Não se trata apenas de um aumento pontual, o movimento indica uma tendência estrutural. Em um cenário econômico marcado por maior seletividade, o mercado de luxo mantém a atratividade, sustentado por ilhas de valor já consolidadas, escassez de produtos e padrão construtivo elevado.
Diferentemente de outros segmentos, o alto padrão responde menos a estímulos de curto prazo e mais a decisões patrimoniais. O comprador deste perfil não atua por impulso, mas por estratégia, avaliando ativos que ofereçam segurança, potencial de valorização e relevância dentro de uma carteira diversificada.
É nesse contexto que bairros tradicionais seguem concentrando as transações de maior valor, reforçando o peso da localização como um dos principais vetores de decisão. A busca não está apenas no imóvel em si, mas no conjunto de atributos que ele representa, traduzindo na capacidade de preservação de valor ao longo do tempo.
O movimento ratifica a força de bairros que historicamente concentram ativos raros e desejados, como Itaim, Jardim Paulista, Moema, Vila Mariana e Higienópolis. Nesses endereços, os chamados “mega deals” vêm desenhando um novo patamar de valorização, sustentado não apenas pelo tíquete elevado, mas também pela combinação entre infraestrutura urbana consolidada, oferta limitada e atributos cada vez mais alinhados ao estilo de vida do comprador de alto padrão. A lógica do mercado, aqui, passa menos pelo volume e mais pela qualidade do produto.
Para Marcello Romero, founder e CEO da Bossa Nova Sotheby’s International Realty, o desempenho do segmento reflete um comportamento já consolidado entre investidores de alta renda. “O mercado de altíssimo padrão não reage da mesma forma que o restante do setor. Existe uma demanda estruturada, que continua ativa mesmo em cenários mais desafiadores. O que muda é o nível de exigência na escolha dos ativos”, afirma.
Segundo ele, o crescimento nas vendas acima de R$ 10 milhões não é um ponto fora da curva, mas parte de um movimento mais amplo. “O comprador de alto padrão está cada vez mais criterioso. Ele busca imóveis que combinem localização, qualidade construtiva e potencial de liquidez. Quando esses fatores estão alinhados, a decisão acontece, independentemente do cenário macroeconômico”, destaca Romero.
“O mercado de alto padrão em 2025 apresentou crescimento de 9% no volume de negócios em comparação com 2024, acompanhado por uma valorização de 2% no ticket médio dos apartamentos negociados acima de R$ 2 milhões, distribuídos em diversos bairros da capital. Os dados indicam uma clara preferência dos compradores por ativos que ofereçam melhor relação custo-benefício. Como reflexo desse comportamento, 54% dos fechamentos foram realizados em condomínios com até 20 anos de construção, sendo 61% deles em empreendimentos com até 10 anos”, finaliza Denise Ghiu.

