Grandes projetos urbanísticos em São Paulo, como nas regiões do Jockey Club, da Ceagesp e da Augusta, representam, claro, um impulso para a expansão imobiliária, com a valorização de áreas revitalizadas e a criação de novos espaços para construção. Mas o sucesso desta empreitada só é possível se as mudanças favorecerem, principalmente, a cidade e seus moradores, trazendo benefícios em infraestrutura, serviço e novas áreas de lazer, por exemplo.

Para que todos possam ganhar com as transformações em São Paulo são necessários planejamento e ações que priorizem a sustentabilidade, de acordo com a visão de Meyer Cohen, diretor comercial de imóveis novos da Bossa Nova Sotheby´s International Realty.

“Todo processo de revitalização é valioso se tiver projetos bem elaborados, que respeitem as regras de construção na cidade, como a altura dos edifícios, e ofereçam melhorias para toda a região e as comunidades do entorno”, destaca Meyer.

Esta visão é compartilhada pela arquiteta Nadia Somekh, professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) do Mackenzie. Para ela, ações pontuais e imediatas, sem um planejamento de longo prazo, não valorizam necessariamente a cidade, principalmente as áreas mais centrais. “É fundamental que as mudanças respeitem e recuperem o enorme patrimônio histórico e cultural existente, e não expulsem atividades e moradores da região”, explica Nadia.

Ainda segundo Meyer, o consumidor atual tem muito mais consciência da responsabilidade em adquirir um imóvel, valorizando a expansão imobiliária que não agride a cidade. Neste contexto, o envolvimento do Poder Público na fiscalização do cumprimento do Plano Diretor é essencial. Este plano é um instrumento de planejamento municipal para a implementação do desenvolvimento urbano na cidade, orientando as ações de agentes públicos e privados. O atual Plano Diretor de São Paulo tem metas propostas até 2030.

Esta preocupação já faz parte da rotina do Jockey Club, área bastante apreciada para novos negócios na zona oeste da cidade, com grande potencial de valorização para os próximos anos. A Prefeitura de São Paulo tem planos de restaurar os patrimônios históricos do local, além de criar um parque público com muito verde, um museu e restaurantes. Os investimentos seriam bancados pela iniciativa privada, que, como contrapartida, poderia erguer duas torres na área não tombada do Jockey Club, próxima à Ponte Cidade Jardim. Segundo a Prefeitura, o Plano Diretor e o Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat) permitem essas construções.

Outra área em processo de mudança na cidade é a região da Ceagesp, a Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo, também na zona oeste. A nova sede deste antigo centro de abastecimento de produtos agrícolas deverá ser na zona norte, o que vai abrir espaço para uma grande revitalização na região próxima ao Parque Villa Lobos. Se algumas áreas da zona oeste estão em processo de transformação, a região central já vem enfrentando mudanças há um bom tempo. Um exemplo famoso é o do Baixo Augusta, que triplicou o número de lançamentos de imóveis nos últimos 10 anos.

“Quem busca um imóvel em São Paulo hoje privilegia uma boa localização, com facilidade de mobilidade, infraestrutura eficiente, praticidade no acesso a bons serviços e, acima de tudo, qualidade de vida, nem que seja preciso mudar de região”, explica Renata Victorino, diretora comercial de imóveis de terceiros da Bossa Nova Sotheby´s International Realty. Renata também é defensora dos projetos de revitalização e desenvolvimento executados de forma responsável. “Com uma melhor organização urbanística, a cidade torna-se mais atraente para os moradores e para os negócios imobiliários”.